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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Brazilian Time - Jens Schriver" - uma visão interessante sobre a gestão do tempo!


Uma visão muito interessante sobre a gestão do tempo, comparando o Brasil com países supostamente mais eficientes.
Acredito que a solução ideal, será colocar as nossas verdadeiras prioridades, enquanto cidadãos e enquanto país, numa folha de papel, ordená-las, e gerirmos o tempo em função daquelas que forem consideradas mais importantes para a nossa Qualidade de Vida e a dos nossos filhos, netos,....

Clique aqui para assistir ao vídeo

Nota: este vídeo, também ajuda a entender, porque é que o Brasil é um país tão especial.

Abraços saudáveis







quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Luis Portela (BIAL): "Se governasse gostaria de dar aos portugueses outra noção de herói"

Num dia em que todos (portugueses) estamos a digerir as medidas de austeridade anunciadas pelo governo, deixo com os meus leitores algumas trechos do "ao almoço com o Expresso" com Luís Portela, presidente dos Laboratórios Bial:

"Nunca senti que fôssemos pequeninos"
(...)
"Luís Portela acorda todos os dias às seis e meia da manhã e rege-se por uma disciplina física e mental que ajuda a explicar a história de sucesso dos Laboratórios BIAL, (...).

Fala em serviço, o serviço dos outros, do altruísmo como sentido da vida. O que não o impede de ser o CEO de uma das empresas mais rentáveis do país.

(...) gostaria, era que houvesse maior lucidez na governação. O país atravessa uma fase difícil mas não é por isso que deixo de gostar de Portugal, de viver em Portugal e de trabalhar em Portugal. O meu trabalho é de equipa e eu sou o capitão.
(...)
No mundo globalizado o que é ser periférico? Todos temos o nosso computador, e funcionamos em rede, em sintonia uns com os outros. Estamos no mundo. E nunca senti que fôssemos pequeninos, a costela de Calimero. Somos iguais aos outros e fazemos bem quando queremos. Não foi só nos anos 500 que Portugal fez bem. Ter na área da saúde um António Damásio, um Sobrinho Simões, um Lobo Antunes...
(...)
Se governasse gostaria de dar aos portugueses outra noção de herói. Diferente da que existe. Tenho o maior respeito pelo Cristiano Ronaldo, o Figo... mas quando se divulga sistematicamente tanta coisa em torno desses jovens, corremos o risco de ter milhares de jovens que querem ser jogadores de futebol. Tinhamos que ter mais Damásios, Manoeis de Oliveira. Outro conceito de herói. O Oliveira é fantástico, 100 anos e aquela energia e criatividade.
(...)
Portugal tem gente jovem muito boa. (...) A maior riqueza de uma instituição são as pessoas.
(...)"

Agarremos nestas palavras e saibamos encontrar a melhor forma de gerarmos valor para nós, para a nossa família, para a nossa empresa e para o nosso país!

Abraços saudáveis

domingo, 26 de setembro de 2010

"Um país com peso a mais" - um exemplo a não seguir!


Saibamos nós (portugueses e brasileiros), melhorar em tempo útil, os nossos hábitos alimentares (complementando com práticas não sedentárias) no sentido de preservarmos um dos patrimónios mais ricos que podemos ter - a nossa saúde!

Clique aqui para assistir a um vídeo de 2 minutos, publicado no Expresso online que descobri no mural de um amigo no Facebook.

Abraços saudáveis

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

“Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”


Reli hoje, via uma "amiga Facebook", a citação da Madre Teresa de Calcutá e senti que ela encaixa perfeitamente no meu Programa Global de Qualidade de Vida:

“Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”

Comecem por imaginar os impactos reais no dia a dia, da aplicação sustentada deste princípio.
Conseguiram visualizar algo de bom?
Então, comecem hoje mesmo, gradualmente e ao vosso ritmo, a fazer algo nesse sentido.

Abraços saudáveis

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Ser MAGRO não chega!" - trecho da minha entrevista à revista Gingko


Espero com este post, levar várias pessoas a tornarem-se mais saudáveis e leitoras assíduas da revista Gingko, uma publicação que número após número, nos faz BEM!

"(...)
João Carvalho é um excelente exemplo deste novo protagonismo. Ninguém diria que está prestes a fazer 47 anos. Os resultados de quatro anos de revolução saudável estão à vista. Como o próprio se apresenta no seu blogue (joaomarquescarvalho.blogspot.com), é “alguém que desde
2006, juntamente com a família, é cobaia num programa de qualidade de vida que deu tão certo que agora quer difundi-lo para o maior número de pessoas possível”.

Por razões profissionais João teve de pensar em formas que tornassem mais saudável a vida dos trabalhadores de uma empresa sua cliente. Primeiro resolveu aplicar em si as sugestões. “Sermos saudáveis é um chip que muda. É acharmos que é mesmo importante e ver o que podemos fazer para isso”, resume.

João começou por comprar um pedómetro para controlar o seu objectivo: atingir os oficiais 10 mil passos/dia, quando uma pessoa é considerada activa. Passou a andar de transportes públicos, a usar as escadas em vez de o elevador, a sair numa estação antes do destino para fazer o resto do percurso a pé, a levantar a loiça do jantar em várias vezes para multiplicar as deslocações.

Ao mesmo tempo aperfeiçoou a alimentação. “A comida saudável, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, é mais saborosa. E acaba por ser um duplo prazer porque sei que estou a fazer bem a mim próprio”. Não está mais do que três horas sem comer, escolhe alimentos
integrais, privilegia o peixe e bebe muita água fora das refeições. “Antes estava ao computador cheio de sede, mas não me levantava porque queria primeiro acabar o trabalho. Agora a minha prioridade sou eu. Estando bem sou mais produtivo”, defende.

Deixa os seguintes conselhos: “O prazer tem de estar sempre associado. Se fizermos sem prazer, ao fim de dois/três meses desistimos. As mudanças têm de ser ao nosso próprio ritmo, e o que interessa é a tendência. O importante é sentirmos que mês após mês, ou ano após ano, estamos melhor do que estávamos antes”.
(...)"

Abraços saudáveis

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

TED talk: "Jason Clay: How big brands can help save biodiversity"


Com a ressalva sobre o impacto menos simpático em todos nós de certas políticas seguidas por parte de algumas das empresas em causa no vídeo de 20 minutos que hoje publico (clique aqui para assistir), senti vontade de destacar:

a) a visão pragmática do Jason Clay sobre como conseguir resultados com uma dimensão crítica que faça a diferença.

b) as acções concretas das empresas envolvidas neste projecto global, onde o exemplo vindo de quem é "grande", contagia de uma forma saudável, a própria concorrência e as empresas de menor dimensão.

O início do vídeo parece igual a tantos outros, deixando claro que estamos a consumir demasiado, mas logo depois, surge a vontade de continuar a assisti-lo porque começamos a sentir que a metodologia usada pelo Jason Clay, tem algo real para oferecer e com um enorme valor agregado, principalmente para as gerações vindouras!

Abraços saudáveis

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cinco sintomas do cancro a que devemos estar atentos em tempo útil!


Num dia triste para Portugal (com a morte ontem à noite do actor António Feio que sofria de uma cancro do pâncreas), deixo como homenagem a um homem que nos fazia BEM, a forte sugestão para que cada um de nós, esteja atento, em tempo útil, a um dos cinco sintomas, segundo o cirurgião cardíaco Mehmet Oz , que podem(o importante é despistar!) prenunciar a existência de um cancro no nosso corpo:

- perda repentina de peso (mais de 10% do peso do nosso corpo)
- inchaço, especialmente na barriga
- dores (no local do tumor) quando ingerimos álcool
- tosse crónica
- nódulos e ou alterações na superfície da pele (ex: tipo casca de laranja) dos seios

De uma forma tranquila e sem manifestações de hipocondrismo, precisamos de valorizar mais a nossa saúde e a dos nossos filhos!

Fomos ensinados a fazer a revisão periódica dos nossos carros e a "alimentá-los" com a "comida" adequada (gasolina/gasóleo), os técnicos tem planos de manutenção para as máquinas das nossas empresas e "alimentam-nas" (lubrificam-nas) nos prazos recomendados pelos fabricantes, mas somos negligentes com o nosso corpo, ao dormirmos pouco, ao colocarmos lá para dentro qualquer porcaria e depressa demais (sem mastigar e salivar como deve ser!), ao maximizarmos a probabilidade de sermos sedentários (vamos de carro para todo o lado e estacionamos mesmo à porta do local do destino, etc), ao não respirarmos como deve ser, ao sorrirmos pouco, ....

Que a morte do António Feio contribua para que muitos de nós nos tornemos melhores pessoas e com um sistema imunitário mais forte.

Abraços saudáveis

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"A New Risk Factor: Your Social Life" - Deveria ser uma das nossas verdadeiras PRIORIDADES de vida!


Na sequência do artigo "Felicidade- uma abordagem prática e objectiva! , publicado neste blog em 2009, no qual se falava da importância de termos um "grupo social de suporte", deixo hoje com os meus leitores, um artigo publicado ontem no The New York Times com o título mencionado em epígrafe:

"Social relationships are just as important to health as other common risk factors like smoking, lack of exercise or obesity, new research shows.

Numerous studies have suggested that strong social ties are associated with better health and longevity, but now a sweeping review of the research shows just how important social relationships really are. Researchers from Brigham Young University reviewed 148 studies that tracked the social habits of more than 300,000 people. They found that people who have strong ties to family, friends or co-workers have a 50 percent lower risk of dying over a given period than those with fewer social connections, according to the journal Plos Medicine.

The researchers concluded that having few friends or weak social ties to the community is just as harmful to health as being an alcoholic or smoking nearly a pack of cigarettes a day. Weak social ties are more harmful than not exercising and twice as risky as being obese, the researchers found.

Notably, the strongest effect was shown when studies used complex measures of social integration, focusing on a person’s family ties, friendships and work connections. In those studies, the survival rates for people with strong relationships were twice that of those with weaker ties. Single measures, like whether a person was married or living alone, weren’t good predictors of health. For instance, people who lived with others had just a 19 percent survival benefit compared with those who lived alone.

Although research has long suggested social relationships are linked with better health, it hasn’t been clear whether the effect is due to the fact that healthy people are more likely to be socially active. A person with chronic health problems has more difficulty spending time at work and with friends. While the data collected from the latest analysis don’t prove a causal relationship between health and social ties, the researchers say it is strongly suggestive, because the people studied were otherwise healthy and followed for an average of seven-and-a-half years. Even when controlling for a person’s health status, the benefit of social relationships was still evident.

There are several theories as to why social connections may improve health, including that people with strong family and social ties may be more active, more likely to seek medical care and have lower stress. “Our relationships encourage us to eat healthy, get exercise, get more sleep, see a doctor,’’ said Julianne Holt-Lunstad, associate professor of psychology at Brigham Young.

Dr. Holt-Lunstad said the research suggests that medical checkups and screenings should also include measures of social well being. “Medical care could recommend if not outright promote enhanced social connections,” she said."

Apesar da leitura do artigo, ficarem dúvidas científicas sobre os resultados alcançados com o estudo que fizeram, pessoalmente, tenho a certeza do enorme impacto das "Social Relationships" na Qualidade de Vida de cada um.

E mais uma vez, tanta coisa BOA e SIMPLES que se pode fazer nesta área, mas as PRIORIDADES de muitos, nem sempre incluem esta importantíssima vertente.

Abraços saudáveis

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Hans Rosling explica-nos de uma forma ímpar (num TED Talk) uma verdadeira prioridade de todos nós!


Hans Rosling em mais um TED talk, explica-nos de uma forma ímpar, uma verdadeira prioridade de todos nós.

"A população mundial vai crescer para 9 bilhões nos próximos 50 anos - e somente elevando o padrão de vida dos mais pobres nós poderemos controlar o crescimento populacional. Esta é a resposta paradoxal que Hans Rosling revela no TED@Cannes usando tecnologia colorida para mostrar os novos dados [e que vale a pena assistir, clicando aqui para assistir a um vídeo de 10 minutos"

Abraços saudáveis

sexta-feira, 23 de julho de 2010

"O padre Bento também faz pão artesanal e as vacas leiteiras da Fazenda Salvaterra são tratadas com homeopatia e..."


Dá gosto assistir a um vídeo (clique aqui) onde as pessoas produzem com carinho, conhecimento e com espírito empreendedor sustentável, alimentos saudáveis, saborosos que nos fazem bem à saúde e à alma!

"Um acto banal do quotidiano que repetimos todos os dias, tomar o café da manhã [pequeno almoço], pode também ser uma expressão de maior cuidado, de maior atenção, para com o planeta e com a sua saúde." "Conheça o Pão do Bento, fabricado de forma artesanal com farinha 100% integral há quase 30 anos no Rio de Janeiro. E a fazenda[Salvaterra] em Juiz de Fora (MG), onde as vacas leiteiras são tratadas com homeopatia e fitoterapia, e o café é orgânico."

Deixo uma nota, que o melhor pão que já comi na minha vida, é feito no meio de uma cidade com 11.000.000 milhões de habitantes, São Paulo (Brasil)

Abraços saudáveis

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Sem estresse, cancer não retorna"

A ideia não é viver sem stress, até porque vivenciamos momentos onde é importante que ele exista, mas sabermos gerir as nossas verdadeiras prioridades para que aquele consiga estar dentro de parâmetros considerados saudáveis.
Justificar completamente
Quer entender melhor o porquê do meu comentário acima? Veja abaixo o artigo publicado pelo Dr. Sérgio Vaisman, médico que me têm ensinado muito nos últimos anos sobre Qualidade de Vida!

"Estudo realizado na Ohio State University e pub licado na revista Clinical Cancer Research, neste ano de 2010, concluiu que o cancer de mama pode não voltar a atacar se a paciente estiver numa fase da vida sem estresse. Uma mulher mais feliz consegue construir um sistema imunológico mais resistente que é capaz de lutar contra o câncer, mesmo se ela já tiver um histórico da doença em fases passadas da vida. Pesquisas anteriores reafirmaram ligação direta entre estresse e sistema imunológico. Um estudo que contou com 227 mulheres recém diagnosticadas como portadoras de câncer de mama mostrou que a metade delas necessitava algum tipo de suporte psicológico para a administração melhor do estresse. Aquelas que se inscreveram no programa especifico para esse fim apresentaram redução de 45% no risco de recidiva da doença, mesmo após 11 anos de observação.
Ai está mais um forte argumento que liga CORPO-MENTE de forma bem intensa."

Abraços saudáveis

quarta-feira, 31 de março de 2010

"ATRITE-SE" mais!


No meu Programa Global de Qualidade de Vida, procuro canalizar as minhas energias para "coisas BOAS" e por isso evito ler sobre temas violentos sobre os quais me sinta impotente para fazer algo no curto prazo (acredito que a médio longo prazo, aquilo que faço, contribua para eliminar/reduzir comportamentos "menos simpáticos", usando um eufemismo que, mais uma vez, ajude o nosso cérebro a pensar de forma positiva).

No entanto, uma "amiga FB (Facebook)" que merece toda a minha atenção, considerando aquilo que regularmente publica na sua "página", levou-me a ler esta manhã, "'Meu nome é Sara' - poema de dor sobre uma criança de 3 anos" (clique aqui para lê-lo).

A mensagem é tão forte que, de imediato, a "solução" que encontrei, foi publicar, aqui ,um texto lindo de Roberto Crema, recentemente usado por mim numa mensagem que li na comemoração dos 50 anos da minha irmã mais velha (clique aqui para lê-lo em "papel" ou aqui para assistir a um vídeo).

Incentivo cada um dos meus leitores que tome conhecimento daquele poema ou semelhante escrito para outras "Saras", que se "ATRITE" mais, interiorizando e praticando aquilo que Roberto Crema, de forma sublime, nos ensina.

Costumo publicar o meu Blog no fim do dia, mas hoje tinha que fazê-lo de manhã!

Abraços saudáveis

sexta-feira, 26 de março de 2010

"What is happiness, and how can we all get some? (...)"


Para aqueles que acreditam que vale a pena investir 21 minutos do seu tempo, a aprender algo sobre como melhorar a sua própria Qualidade de Vida, sugiro fortemente que assistam ao seguinte vídeo do TED (falado em inglês e não legendado):

Matthieu Ricard on the habits of the happiness

"What is happiness, and how can we all get some? Biochemist turned Buddhist monk Matthieu Ricard says we can train our minds in habits of well-being, to generate a true sense of serenity and fulfillment."

clique aqui para assistir

Mais um pequeno grande passo no sentido de darmos prioridade e praticarmos aquilo que é verdadeiramente importante.

Abraços saudáveis

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

"Quando um aluno entra na escola às 8h e sai às 20h, tem pai/mãe em média 3h por dia. Que geração estamos a criar?"


Usando a expressão do próprio autor, o artigo escrito pelo Dr. Daniel Sampaio e supostamente publicado pelo Público (não encontrei no site, o artigo que um leitor meu gentilmente me enviou), "merece toda a atenção" de todos nós que somos pais . Abaixo alguns trechos que considerei relevantes para passar a mensagem.

"Contra a escola-armazém

Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?


(...)á se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo.


(...) Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores
, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais."


Estamos sem dúvida, perante um texto importante para reflexão sobre uma solução positiva para uma educação e gestão de afectos saudáveis para as nossas crianças.

Abraços saudáveis

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Entrevista a Christophe de Dejours "Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal" - talvez o melhor artigo publicado no meu Blog!


No Blog Outro Portugal do Paulo Borges (vale a pena visitar) podemos ler na íntegra (clique aqui ) aquela que considero a melhor entrevista dos últimos tempos por parte do jornal Público, cujo tema, se colocado no patamar que merece e trabalhado por accionistas, executivos, governos, políticos e cada um de nós, poderá dar a origem a uma mudança de paradigma relativamente aos actuais modelos de gestão utilizados na maior parte dos países com resultados crescentes e sustentados.

Como a entrevista é grande, deixo aqui alguns trechos para que cada leitor possa validar que estamos a falar de um artigo de leitura obrigatória. Que cada um tenha coragem para o ler até até ao fim, incorporar o seu conteúdo, para o divulgar e promover e principalmente para o aplicar à sua própria realidade.

O mundo precisa de fazer as mudanças nele enunciadas!

"Nos últimos anos, três ferramentas de gestão estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos: a avaliação individual do desempenho, a exigência de “qualidade total” e o outsourcing. O fenómeno gerou doenças mentais ligadas ao trabalho. Christophe Dejours, especialista na matéria, desmonta a espiral de solidão e de desespero que pode levar ao suicídio.

Psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, Christophe Dejours dirige ali o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental. Esteve há dias em Lisboa, onde, (...) falou do sofrimento no trabalho. Não apenas do sofrimento enquanto gerador de patologias mentais ou de esgotamentos, mas sobretudo enquanto base para a realização pessoal.
(...)
O suicídio ligado ao trabalho é um fenómeno novo?
O que é muito novo é a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho. Apareceu em França há apenas 12, 13 anos.
(...)
O que é que mudou nas empresas?
A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário.

A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.”

Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe…

Mas o assédio no trabalho é novo?
Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco. Aí é que se torna difícil sair do poço, sobretudo para os que gostam do seu trabalho, para os mais envolvidos profissionalmente. Muitas vezes, a empresa pediu-lhes sacrifícios importantes, em termos de sobrecarga de trabalho, de ritmo de trabalho, de objectivos a atingir. E até lhes pode ter pedido (o que é algo de relativamente novo) para fazerem coisas que vão contra a sua ética de trabalho, que moralmente desaprovam.

Qual é o perfil das pessoas que são alvo de assédio?
São justamente pessoas que acreditam no seu trabalho, que estão envolvidas e que, quando começam a ser censuradas de forma injusta, são muito vulneráveis. Por outro lado, são frequentemente pessoas muito honestas e algo ingénuas. Portanto, quando lhes pedem coisas que vão contra as regras da profissão, contra a lei e os regulamentos, contra o código do trabalho, recusam-se a fazê-las. Por exemplo, recusam-se a assinar um balanço contabilista manipulado. E em vez de ficarem caladas, dizem-no bem alto. Os colegas não dizem nada, já perceberam há muito tempo como as coisas funcionam na empresa, já há muito que desviaram o olhar. Toda a gente é cúmplice. Mas o tipo empenhado, honesto e algo ingénuo continua a falar. Não devia ter insistido. E como falou à frente de todos, torna-se um alvo. O chefe vai mostrar a todos quão impensável é dizer abertamente coisas que não devem aparecer nos relatórios de actividade.

Um único caso de assédio tem um efeito extremamente potente sobre toda a comunidade de uma empresa. Uma mulher está a ser assediada e vai ser destruída, uma situação de uma total injustiça; ninguém se mexe, mas todos ficam ainda com mais medo do que antes. O medo instala-se. Com um único assédio, consegue-se dominar o colectivo de trabalho todo. Por isso, é importante, ao contrário do que se diz, que o assédio seja bem visível para todos. Há técnicas que são ensinadas, que fazem parte da formação em matéria de assédio, com psicólogos a fazer essa formação.

Uma formação para o assédio?
Exactamente. Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato.
(...)
O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio.
(...)
Voltando ao perfil do assediado, é perigoso acreditar realmente no seu trabalho?
É. O que vemos é que, hoje em dia, envolver-se demasiado no seu trabalho representa um verdadeiro perigo. Mas, ao mesmo tempo, não pode haver inteligência no trabalho sem envolvimento pessoal – sem um envolvimento total.
(...)
Falou de “qualidade total”. O que é exactamente?
É uma segunda medida que foi introduzida na sequência da avaliação individual. Acontece que, quando se faz a avaliação individual do desempenho, está-se a querer avaliar algo, o trabalho, que não é possível avaliar de forma quantitativa, objectiva, através de medições. Portanto, o que está a ser medido na avaliação não é o trabalho. No melhor dos casos, está-se a medir o resultado do trabalho. Mas isso não é a mesma coisa. Não existe uma relação de proporcionalidade entre o trabalho e o resultado do trabalho.
(...)
Para além de que declarar a qualidade total é catastrófico, justamente porque a qualidade total é um ideal. É importante ter o ideal da qualidade total, ter o ideal do “zero-defeitos”, do “zero-acidentes”, mas apenas como ideal.

Em diabetologia, por exemplo, os gestores introduziram a obrigação de os médicos fazerem, para cada um dos seus doentes, ao longo de três meses, a média dos níveis de hemoglobina glicosilada A1c [ri-se], que é um indicador da concentração de açúcar no sangue. A seguir, comparam entre si os grupos de doentes de cada médico – é assim que controlam a qualidade dos cuidados médicos. [ri-se].

Só que, na realidade, quando tratamos um doente, às vezes o tratamento não funciona e temos de perceber porquê. E finalmente, o doente acaba por nos confessar que não consegue respeitar o regime alimentar que lhe prescrevemos, porque inclui legumes e não féculas e que os legumes são mais caros... Tem três filhos e não tem dinheiro para legumes. E então, vamos ter de encontrar um compromisso.

Da mesma forma, se um doente diabético é engenheiro e tem de viajar frequentemente para outros fusos horários, torna-se muito difícil controlar a sua glicemia com insulina. Mais uma vez, vai ser preciso encontrar um meio-termo. E isso é difícil.

Mesmo uma central nuclear nunca funciona como previsto. Nunca. Por isso é que precisamos de “trabalho vivo”. A qualidade total é um contra-senso porque a realidade se encarrega de fazer com que as coisas não funcionem de forma ideal. Mas o gestor não quer ouvir falar disso.

Ora, quando o ideal se transforma na condição para obter uma certificação, o que acontece é que se está a obrigar toda a gente a dissimular o que realmente se passa no trabalho. Deixa de ser possível falar do que não funciona, das dificuldades encontradas. Quando há um incidente numa central nuclear, o melhor é não dizer nada.

Isso é extremamente grave.
É. E em medicina passa-se a mesma coisa. Faz-se batota. Hoje, existem nos hospitais as chamadas “conferências de consenso” – acho que existem em toda a Europa – onde são feitas recomendações precisas para o tratamento de tal ou tal doença. E quando um médico recebe um doente, tem de teclar no computador para ver o que foi estabelecido pela conferência de consenso. O médico, que tem o doente à sua frente, pensa que essa não é a boa abordagem – porque sabe que o doente tem problemas com a mulher, com os filhos e não vai conseguir fazer o tratamento recomendado. Mas sabe também que se não fizer o que está lá escrito, e se por acaso as coisas derem para o torto, poderá haver um inquérito, a pedido da família ou de um gestor, e vão dizer que foi o médico que não fez o que devia. O problema da qualidade total é que obriga muitos de nós a viver essa experiência atroz que consiste em fazer o nosso trabalho de uma forma que nos envergonha.

Há muitos suicídios entre os médicos?
Cada vez mais. Há especialidades com mais suicídios do que outras – nomeadamente entre os médicos reanimadores. Em França é uma verdadeira hecatombe: é sabido que a profissão de anestesista-reanimador é das que têm maior taxa de suicídios. Nesta especialidade, os riscos de ser-se atacado em tribunal porque alguém morreu são tão elevados que os médicos se protegem seguindo as instruções. Mesmo que tenham a íntima convicção de que não era isso que deveriam fazer. Chegámos a esse ponto.

É uma situação insuportável e há médicos que não aguentam ver um doente morrer porque tiveram medo de que isso se virasse contra eles. “Fiz o que estava escrito e o doente morreu. Matei o doente.” Há cada vez mais reanimadores que se confrontam com esta situação. Ainda por cima os cirurgiões atiram sempre as dificuldades que encontram nas operações para cima do reanimador. Sempre. Cada vez que acontece qualquer coisa, é porque o anestesista não adormeceu bem o doente, ou não o acordou correctamente, ou não soube restabelecer a pressão arterial. O cirurgião nunca admitirá que falhou nas suturas e que por isso o doente se esvaiu em sangue.

Os médicos sempre foram considerados uma classe muito solidária…
Foram. Já não são. Eu trabalhei anos nos hospitais, e adorava trabalhar lá, porque existia um espírito de equipa fantástico. Éramos felizes no nosso trabalho. Hoje, as pessoas não querem trabalhar nos hospitais, não querem fazer bancos, tentam safar-se. São todos contra todos. Bastaram uns anos para destruir a solidariedade no hospital. O que aconteceu é aterrador.

O que é importante perceber é que a destruição dos elos sociais no trabalho pelos gestores nos fragiliza a todos perante a doença mental. E é por isso que as pessoas se suicidam. Não quer dizer que o sofrimento seja maior do que no passado; são as nossas defesas que deixaram de funcionar.

Portanto, as ferramentas de gestão são na realidade ferramentas de repressão, de dominação pelo medo.
Sim, o termo exacto é dominação; são técnicas de dominação.

Então, é preciso acabar com essas práticas?
Eu não diria que é preciso acabar com tudo. Acho que não devemos renunciar à avaliação, incluindo a individual. Mas é preciso renunciar a certas técnicas.
(...)
Mas sobretudo, a avaliação não deve ser apenas individual. É extremamente importante começar a concentrar os esforços na avaliação do trabalho colectivo e nomeadamente da cooperação, do contributo de cada um. Mas como não sabemos analisar a cooperação, analisa-se somente o desempenho individual.
(...)

Temos de aprender a pensar o trabalho colectivo, de desenvolver métodos para o analisar, avaliar – para o cultivar. A riqueza do trabalho está aí, no trabalho colectivo como cooperação, como maneira de viver juntos. Se conseguirmos salvar isso no trabalho, ficamos com o melhor, aprendemos a respeitar os outros, a evitar a violência, aprendemos a falar, a defender o nosso ponto de vista e a ouvir o dos outros.
(...)
Qual é a diferença entre taylorismo e fordismo?
Taylor inventou a divisão das tarefas entre as pessoas e a interposição, entre cada tarefa, de uma intervenção da direcção, através de um capataz. Há constantemente alguém a vigiar e a exigir obediência ao trabalhador. A palavra-chave é obediência. “Quando eu disser para parar de trabalhar e ir comer qualquer coisa, você vai obedecer. Se concordar, será pago mais 50 cêntimos pela sua obediência.” A única coisa que importa é a obediência. O objectivo é acabar com o ócio, os tempos mortos.

Só muito mais tarde é que Ford introduziu uma nova técnica, a linha de montagem, que é uma aplicação do taylorismo. Na realidade, não é o progresso tecnológico que determina a transformação das relações sociais, mas a transformação das relações de dominação que abre o caminho a novas tecnologias.

O toyotismo [ou Sistema Toyota de Produção] utiliza um outro método de dominação, o ohnismo [inventado por Taiichi Ohno (1912-1990)], diferente do taylorismo. É um método particular que extrai a inteligência das pessoas de uma forma muito mais subtil que o taylorismo, que apenas estipula que há pessoas que têm de obedecer e outras que mandam.

No ohnismo, trata-se de fazer com que pessoas beneficiem a empresa oferecendo a sua inteligência e os conhecimentos adquiridos através da experiência. Para o fazer, nos anos 1980, introduziu-se algo de totalmente novo: os chamados “círculos de qualidade”.

O sistema japonês foi realmente uma novidade em relação ao taylorismo, porque ensinou as pessoas a colaborar sem as obrigar a obedecer – dando-lhes prémios, pelo contrário. Quando uma sugestão de uma pessoa dá lucro, a empresa faz o cálculo do dinheiro que a empresa ganhou com a ideia e reverte para o trabalhador uma parte desse lucro. Trata-se de prémios substanciais.

Mas há uma batota: os círculos de qualidade podiam durar horas, todos os dias, reunindo as pessoas a seguir ao trabalho para alimentar a caixinha das ideias. Todos se envolviam porque, por um lado, uma ideia que permitisse melhorar a produção valia-lhes chorudos prémios, mas também porque quem participava neles tinha um emprego vitalício garantido na empresa.

O sistema foi exportado para a Europa, os EUA, etc. porque durante uns tempos, a qualidade melhorou de facto. Mas a dada altura, as pessoas no Japão trabalhavam tanto que começou a haver mortes por karoshi [literalmente “morte por excesso de trabalho”].

O que é o karoshi?
É uma morte súbita, geralmente por hemorragia cerebral (AVC), de pessoas novas que não apresentam qualquer factor de risco cardiovascular. Não são obesos, não sofrem de hipertensão, não têm níveis de colesterol elevados, não são diabéticos, não fumam, não são alcoólicos, não tem uma história familiar de AVC. Nada. A único factor que é possível detectar é o excesso de trabalho. Estas pessoas trabalham mais de 70 horas por semana, sem contar as horas passadas nos círculos de qualidade. Ou seja, são pessoas que estão literalmente sempre a trabalhar. Mal param de trabalhar, vão dormir. As descrições de colegas que foram fazer inquéritos no Japão são aterrorizadoras.

O mundo do trabalho no Japão é alucinante. Há raparigas que entram nas fábricas de electrónica, por exemplo, e que são utilizadas entre os 18 e os 21 anos – porque aos 21 anos, já não conseguem aguentar as cadências de trabalho.

As famílias confiam-nas às empresas por esses três anos, durante os quais elas se entregam de corpo e alma ao trabalho. E nalguns casos, a empresa compromete-se a casar a rapariga no fim dos três anos. É mesmo um sistema totalitário. E mais: essas jovens trabalham 12 a 14 horas por dia e depois vão para uns dormitórios onde há uma série de gavetões – cada um com cama e um colchão –, deitam-se na cama e fecha-se o gavetão. Dormem assim, empilhadas em gavetões. Três anos… em gavetões… é preciso ver para crer.
(...)
Uma empresa que defendesse os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade conseguiria sobreviver no actual contexto de mercado?

Hoje, estou em condições de responder pela afirmativa, porque tenho trabalhado com algumas empresas assim. Ao contrário do que se pensa, certas empresas e alguns patrões não participam do cinismo geral e pensam que a empresa não é só uma máquina de produzir e de ganhar dinheiro, mas também que há qualquer coisa de nobre na produção, que não pode ser posta de lado.
(...)
E, entre os empresários, há pessoas assim – não muitas, mas há. Pessoas muito instruídas que respeitam esse aspecto nobre. E, na sequência das histórias de suicídios, alguns desses empresários vieram ter comigo porque queriam repensar a avaliação do desempenho. Comecei a trabalhar com eles e está a dar resultados positivos.

O que fizeram?
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas.

Neste caso, trata-se de uma pequena empresa privada que se preocupa com a qualidade da sua produção e não apenas por razões monetárias, mas por questões de bem-estar e convivialidade do consumidor final. O resultado é que pensar em termos de convivialidade faz melhorar a qualidade da produção e fará com que a empresa seja escolhida pelos clientes face a outras do mesmo ramo.

Para o conseguir, foi preciso que existisse cooperação dentro da empresa, sinergias entre as pessoas e que os pontos de vista contraditórios pudessem ser discutidos. E isso só é possível num ambiente de confiança mútua, de lealdade, onde ninguém tem medo de arriscar falar alto.

Se conseguirmos mostrar cientificamente, numa ou duas empresas com grande visibilidade, que este tipo de organização do trabalho funciona, teremos dado um grande passo em frente."

Caro leitor, ao ler este artigo até aqui, já deu um passo importante e com certeza ficou com vontade de fazer algo mais! Se 5% de nós acreditarmos que é possível, teremos a base intelectual suficiente para fazermos mudanças profundas na nossa sociedade com impactos positivos para nós e principalmente para as gerações mais novas!

Abraços saudáveis

domingo, 31 de janeiro de 2010

Manfred Kets de Vries (...) Sua missão: ensinar os executivos a pensarem na vida"


Como defensor que a Qualidade de Vida das empresas sustentada (leia-se resultados junto dos vários stakeholders) está directamente relacionada com a Qualidade de Vida dos seus colaboradores, gostei muito de ler as palavras do psicólogo e economista holandês Manfred Kets de Vries, no site da Época NEGÓCIOS (clique aqui para ler o artigo na íntegra, de onde tirei os trechos abaixo):

EN: Você possivelmente já cruzou com algum destes personagens: o CEO de meia-idade que, entediado, arranjou uma mulher 30 anos mais jovem – a famosa “esposa troféu”. Ou então o diretor de RH que entrou em depressão depois de executar um corte drástico de pessoal. Ou o executivo ou executiva que subitamente perdeu um filho ou parente e um abismo emocional se abriu diante de seus pés. São fatos da vida que, na dinâmica das corporações, são sublimados. É como se jamais houvessem ocorrido. (...) Manfred Kets de Vries, 67 anos, psicanalista, economista e professor do Insead. Vries é autor de uma recém-lançada obra provocativa, que aborda os quatro pilares da existência humana: Sex, Money, Happiness and Death: The Quest for Authenticity (“Sexo, dinheiro, felicidade e morte: a busca da autenticidade”). “Nossa vida profissional seria muito mais gratificante se deixássemos de negá-los”, diz Kets de Vries.

(...) Grandes empresas, como Nokia, Heineken, KPMG, McKinsey e Unilever, aprenderam a confiar em seus insights e na dinâmica peculiar de seu trabalho, que envolve o coaching de grupos. Vries não economiza críticas às corporações (e também aos seus colegas acadêmicos): “O mundo dos negócios e a academia são emocionalmente subdesenvolvidos”, afirma ele.
(...)
Seu livro pegou muita gente de surpresa (...).

MKV: "(...) Meu objetivo com o livro foi tentar fazer o executivo refletir sobre o que, de fato, tem importância em sua vida. Também quis sacudir meus colegas da academia de suas torres de marfim. Os acadêmicos deveriam estar mais atentos aos problemas reais de pessoas reais, e não ficar tentando impressionar um ao outro.

(...) Veja a relação de sexo, dinheiro, poder e depressão. Acompanho executivos nas últimas décadas. É muito comum, depois de bem-sucedidos, que se aposse deles um sentimento de vazio. De tédio. No setor financeiro, isso é muito comum. Porém, aos executivos não é permitido – e eles não se permitem – demonstrar sinais de angústia. Entediados com as conquistas, a depressão aumenta. (...) Eles podem mascarar por algum tempo a angústia, mas chega uma hora em que todos têm de diminuir o ritmo. A saúde e o corpo não são mais os mesmos. E nessa hora fica realmente difícil confrontar a dura realidade.

EN: Como se prevenir disso?

MKV: Por meio de uma constante avaliação de si mesmo: “O que eu realmente quero?”. Afinal de contas, não vale a pena ser o sujeito mais rico do cemitério. Sei que isso é difícil de fazer, e de prescrever para os executivos. Mas é necessário.

EN: Como o dinheiro e a questão da remuneração nas empresas se encaixam nesse quadro?

MKV: A questão é: quanto é o suficiente? Eu faço essa pergunta para os executivos. E eles não sabem me dar uma resposta. Nunca se questionaram sobre isso, pois, quando o assunto é remuneração, é sempre possível, em teoria, ganhar mais. Não existe um teto em que as pessoas digam: “Esse limite para mim está ótimo”. Isso é bem razoável, mas ao mesmo tempo contraintuitivo... Existe um problema inerente ao ganho financeiro: com ele nasce, concomitantemente, uma cadeia de necessidades. Os mais ricos são também os mais necessitados, por paradoxal que isso soe. Eu sempre digo nos meus seminários: “Veja, um sujeito realmente poderoso era o Buda, que não precisava de nada, e vivia sem um tostão”. Se você quer ser realmente poderoso, tem de abrir mão de suas necessidades.

EN: E o que traz felicidade?

MKV: É uma pergunta difícil. Mas eu acho que o primeiro passo é ter um objetivo que o mova. E esse objetivo deve nascer da sinceridade. Alguns empreendedores são realmente sinceros ao querer criar um negócio inovador, de qualidade, e isso os faz genuinamente felizes. Para outras pessoas, os projetos e os objetivos são outros. O sucesso profissional entra aí como um meio, e não como um fim em si mesmo. Conheço um executivo que uma vez por mês vai a um hospital de crianças com câncer. Lá, passa uma tarde, distribui balas, brinca com as crianças. “Manfred, esse é o dia mais feliz do meu mês”, ele me disse.

(...) As pessoas gostam de conversar sobre sexo, dinheiro, felicidade e morte, mas muitas vezes olham em volta e não têm com quem falar.(...)

EN: O senhor trabalha muito com a emoção nos seus seminários?

MKV: Costumo dizer que os participantes, entre eles muitos executivos seniores e CEOs, começam o programa falando de negócios, e terminam falando sobre suas mães. Veja que evolução!

EN: O que seria o executivo “humano” na organização?

MKV: Ele é um mercador da esperança na corporação. Empresas devem produzir lucro, e para isso o CEO tem de saber criar um senso de propósito objetivo, que motive a equipe. Construir o propósito: essa é uma das funções do storytelling [técnica para contar e criar histórias]. Essa qualidade de liderança não nasce da educação formal, acadêmica – do MBA. Mas sim de capacidades intrínsecas da individualidade do CEO. Estas capacidades podem ser desenvolvidas.
"

O PROFESSOR E A FELICIDADE

Seis dicas de Manfred Kets de Vries para gerenciar a qualidade de vida

Alegria, interrompida
Aproveite os momentos alegres, mas também aceite a tristeza. Uma das virtudes da felicidade é que ela não é constante. Se fosse ininterrupta, a felicidade se tornaria algo monótono, ou até mesmo um pesadelo. “Imagine um estado de orgasmo constante...”, provoca Kets de Vries.

Humor e humildade
O topo pode ser um lugar muito solitário. É essencial que o líder tenha alguém que possa criticá-lo, sem medo de represálias. Um remédio para isso é o humor. “Fazendo graça, o bobo da corte era livre para criticar o rei. O líder da organização devia ter seu ‘bobo da corte’. O humor traz humildade.”

Intuição às avessas
Intuitivamente, a tendência humana é dar mais relevo às falhas pessoais do que aos acertos. Fazer o oposto disso é saudável, segundo o professor. Deve-se aprender a cultivar o otimismo, a esperança e a criatividade pessoal.

Divina loucura
Aceite a própria loucura. Todos nós precisamos dela para manter a sanidade. “Eu gosto de um pouco de loucura e excentricidade nas pessoas. É o que fomenta a criatividade.”

Equilíbrio delicado
Como conciliar profissão e vida pessoal? Um segredo para evitar a dor na consciência é o senso de responsabilidade pelos outros. (...)

Intensidade e paixão
Para uma vida profissional saudável, a pessoa deve ser capaz de extrair intensidade de todos os momentos. Nós devemos ser capazes de experimentar todas as “cores” de cada um dos momentos. Não podemos agir como daltônicos emocionais.

(...)
“O valor está nas coisas simples”

Só esse resgate produzirá supéravit emocional nas empresas, diz Faccina

Época NEGÓCIOS buscou um veterano para sondar a balança emocional do corpo executivo no Brasil. É Carlos Faccina, ex-executivo da Nestlé, professor da Business School São Paulo e autor de O Novo Profissional Competitivo, que acaba de ganhar uma nova edição pela Campus. Suas impressões:

- Vivemos hoje um período de desequilíbrio e excessos, e este movimento ainda não chegou ao ápice. Mas, como tudo na vida, é um movimento pendular.

- O retorno ao superávit emocional depende de um resgate e uma revalorização das coisas simples nas empresas.

- Emoção e razão andam juntas. Não dá para ter envolvimento num projeto sem que a emoção esteja envolvida. No entanto, mais de uma vez fui repreendido em reuniões: “Faccina, não vamos ser emocionais! Vamos ser racionais”.

- Os funcionários, mesmo vizinhos de cubículos, não se falam mais, nem por telefone, só por e-mail. Hoje em dia, as únicas pessoas que conversam nas empresas são os fumantes. A tecnologia, aliás, é cúmplice do alheamento emocional.

- Nos anos 80, o processo de expatriamento de um executivo demorava um mês e meio. Havia tempo para o sujeito acomodar a questão familiar, e medir se valia ou não a pena a mudança. Hoje, a decisão ocorre em dois ou três dias.

Acredito que a leitura deste artigo possa contribuir para que accionistas e executivos (mas não só!) possam incorporar parte da sua mensagem ao modelo de gestão das respectivas empresas. Todos sairão beneficiados ao longo do tempo!

Abraços saudáveis

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Venha de MBT em vez de carro para Lisboa e ainda poupa dinheiro!

Alguns dos meus leitores sabem que sou um apaixonado pelos "anti-sapatos MBT", relembrando que em Ago/09 escrevi:

"Quando você utiliza o MBT na cidade, é como se estivesse a caminhar de pés descalços na areia da praia"

E como cliente satisfeito hoje estive na TVI testemunhando o bem que me faz andar com eles (saúde com prazer), cerca de 15.000 passos/dia (11kms).

A certa altura o tema era o preço dos MBT, cerca de 200 euros, o que os tornaria relativamente caros, ao que eu respondi:

Se as pesssoas viessem de MBT em vez de carro para Lisboa, em muito pouco tempo os "anti-sapatos" estarão pagos (sem contar com o trinómio saúde/prazer/meio ambiente)!

Aqui fica uma sugestão para quem quiser dar o benefício da dúvida ao signatário!

Boas decisões, boas caminhadas, boas poupanças e boas aplicações destas!

Abraços saudáveis

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

George Clooney - "(...)passei 30 anos a comer ao balcão, a meter a comida na boca e a engolir o mais depressa que podia."


Não costumo ligar muito para notícias cor-de-rosa, mas gostei muito dos dois comentários feito pelo actor George Clooney que os meus leitores podem ler abaixo (fonte: edição 21/1/10 do jornal metro):

metro: Quando uma pessoa muda de país [o actor vive agora em Itália], as grandes diferenças são marcadas pelas pequenas coisas. Quais são alguns dos pormenores italianos que adora?

GC: "Não sei. Mas suponho que que a maior diferença continua a ser a maneira como as pessoas vivem as suas vidas. Estou consciente que há toda uma realidade enorme que me passa ao lado. (...) há uma coisa que compreendo:
a vida é vivida de maneira diferente. Quando, numa aldeiazinha, vejo um trabalhador a regressar a casa ao fim do dia com uma talhada boa de pão e uma garrafa de vinho, isso e o facto de ele ir pelo passeio fora a cantar, bom, esse tipo de cena não se vê com frequência na América.
Não que os americanos não sejam boas pessoas. Mas a vida é e facto, diferente em Itália.

metro: Já vi que adquiriu novos hábitos...

GC: Talvez tenha a ver com o país onde nasci. Se calhar é mesmo verdade aquilo que dizem, que os americanos vivem para trabalhar e os italianos trabalham para viver. Obviamente, isto não se aplicará a toda a gente.
Mas uma coisa posso atestar: passei 30 anos a comer ao balcão, a meter a comida na boca e a engolir o mais depressa que podia. Acho que todos nós fazemos isso. Ora bem, os Estados Unidos são um país muito jovem . Em Itália já compreenderam que é melhor uma pessoa sentar-se, comer e conversar com os amigos. É um divertimento. Tão simples como isso. Foi isso que aprendi acima de tudo: dar tempo, demorar mais tempo a fazer as coisas. Nunca tinha compreendido isso, mas agora, sei apreciar esses momentos."

Como vêem, para termos Qualidade de Vida, não basta termos dinheiro, temos que saber viver cada momento!

Abraços saudáveis

sábado, 16 de janeiro de 2010

Cônsul do Haiti no Brasil - pessoa errada no lugar errado!


Postei esta manhã na rede social Facebook:

Antes de tomar o pequeno almoço, tenho o hábito de ver o que se passa no mundo e hoje comecei o dia a chorar (literalmente falando) de ALEGRIA com um final FELIZ de um impressionante resgate de uma enfermeira grávida que esteve 70 horas debaixo das ruínas no Haiti. VALE A PENA ver este vídeo de 6 minutos (clique aqui para assistir) .

Pensei para comigo que, neste mundo moderno, ainda existe suficiente capacidade para nos emocionarmos e sentirmos vontade de sermos solidários com outros, o que me dá muita esperança de, em conjunto, conseguirmos criar sociedades mais justas e onde todos possam viver com o mínimo de dignidade.

Mais tarde vi com os meus próprios olhos uma pessoa errada no lugar errado. O vídeo com pouco mais de 3 minutos que pode ser visto, clicando aqui deixa claro que a selecção de pessoas para funções chave em empresas, organismos públicos, Ong`s, etc tem de uma vez por todas, ser gerida de uma forma estratégica, não só na definição do perfil ideal do candidato, mas também no respectivo processo da própria selecção.

Como é que (é o que pode ver no vídeo!) o cônsul do Haiti no Brasil pode dizer que "a desgraça de lá [seu próprio país onde ele tem 100 familiares dos quais não tem qualquer notícia!] está sendo uma boa para a gente aqui (pausa) fica mais conhecido aqui [o Haiti!]."?

Não tenho dúvida que boa parte da crise que atravessamos actualmente, tem como causa principal, a prepotência de muitos destes (ir)responsáveis que sempre colocam os seus interesses à frente dos interesses dos cidadãos, clientes e até accionistas.

É fundamental em qualquer tipo de decisão, a dose certa de emoção (positiva). Pergunto aos meus leitores, que tipo de carga emotiva o referido cônsul e outros como ele, podem alguma vez colocar ao serviço daquilo para que são pagos?

Que exista coragem política para colocar as pessoas certas nos lugares certos!

Abraços saudáveis

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Michelle Bachelet - exemplo de resiliência a seguir!


A REVISTA ÚNICA (jornal Expresso) do dia 9 do corrente mês traz alguns artigos interessantes, dos quais hoje destaco o seguinte trecho da entrevista a Michelle Bachelet, Presidente do Chile, a propósito da morte do pai, do tempo em que esteve na prisão (bem como a mãe), a sua expulsão e exílio, a morte pessoas que lhe eram queridas, torturadas, desaparecidas, etc:

"(...) das duas uma: ou se fica enredada nelas [nas muitas dores!] ou não. A alguns, ficou-lhes a vingança como sentimento principal, a outros, como a mim, a necessidade de que isso não se repita. Não sei porque sou assim, não tenho ódio nem rancor.

Há um termo em psiquiatria, que vem da Física e que se chama resiliência. Pois bem, eu sou muito resiliente!

Esta sensação de não querer viver num país em que nos olhamos como inimigos. Pode ser-se adversário, diferente, mas creio que que numa sociedade democrática a diversidade só enriquece.
Uma sociedade capaz de conviver em toda a sua expressão parece-me mais rica e mais interessante, capaz de fazer as coisas melhor.

É mais resiliente.
(...)"

Resiliência neste sentido, contribui em muito para a nossa própria Qualidade de Vida e para a daqueles que nos rodeiam (que pode ser toda a população de um país quando a(o) Presidente molda a sua gestão com base naquela!).

Abraços saudáveis