terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cliente, não coma o que eu como para a minha empresa sair da crise!

Continuo a achar interessante a minha leitura de artigos "antigos", como o publicado na revista EXAME de 17 de Agosto de 2005, com o título "Aposta na gordura - Burger King faz sucesso nos Estados Unidos investindo em sanduíches hipercalóricos"

"Enquanto a maior parte das empresas de fast food incorpora saladas e grelhados ao cardápio, a rede americana Burger King está conseguindo sair de uma crise com a ajuda de um sanduíche recheado com lingüiça, dois omeletes, três fatias de bacon e duas de queijo. Lançado em março nos Estados Unidos, o Enormous Omelet tem 760 calorias - quase o dobro de um Big Mac - e 50 gramas de gordura.(...).

Com seu investimento politicamente incorreto, a Burger King conseguiu virar o jogo. Desde o lançamento do Enormous Omelet, as vendas de café da manhã da rede já cresceram 20%.

[agora reparem no seguinte:]

O responsável peal estratégia é Greg Brenneman - um executivo de 43 anos que faz ginástica diariamente, treina triatlo, só toma café descafeinado e prefere almoçar saladas (...) que já perdeu 10 quilos desde que assumiu a presidência do Burger King [um ano antes]".

Pergunto aos meus leitores:

Um homem que se preocupa com a sua própria saúde (com base nos bons hábitos alimentares que pratica), incentivar milhões de clientes a comerem uma bomba relógio como o Enormous Omelet de 760 calorias, pode de alguma forma sentir-se realizado ao ver o faturamento da empresa que lidera, a crescer por contrapartida da degradação da saúde (que com certeza em alguns casos terminará em mortes prematuras e sofridas!) dos seus próprios clientes?

O que passará pela cabeça de Greg Brenneman, cada vez que ele recebe um relatório de vendas, que valida que mais pessoas comeram (muitas no café da manhã!!!) aquela "coisa"?

Será ele um CEO que se preocupa com os seus clientes?

O que ele sentiria se por algum motivo de força maior, tivesse que ingeri-la (aquela coisa) diariamente, durantes uns tempos?

Nenhum dinheiro do mundo me faria ser visto como o homem que tirou a empresa "x" da crise ao lançar um "coisa" no mercado que vai acabar com a Qualidade de Vida dos próprios clientes.

Abraços saudáveis,

2 comentários:

Inês Gil Forte disse...

João, grande documentário...
é o tipico faz o que eu digo, nao faças o que eu faço!!!
Incrivel...
e acima de tudo dá para ver como o poder do dinheiro tem muito mais importancia do que a saude publica, sim porque neste caso fala-se de saude publica...
E provavelmente às 760 Kcal devemos juntar 1 mega coca-cola...

Ana Raposo disse...

João, é mesmo incrível!

Mas deixo uma pergunta:seria isto possível na Europa? E seria possível hoje em dia? Com todas as campanhas anti-obesidade, e estilo de vida saudável, será que as pessoas ainda iriam atrás da super-omelete? Nos EUA, não sei, mas na Europa acho que não é possivel.

Mas o que choca é o facto de estas empresas não olharem, literalmente, a meios, para atingirem os fins. Ao mesmo tempo, "matando" os melhores clientes (porque é óbvio que quem come aquilo ao pequeno almoço não vai ser muito saudável...), stão a matar a galinha ds ovos de ouro... mas como isso é no médio-lono prazo, e os prémios de produtividade que o sr. Greg Brenneman recebe são anuais... não há problema!