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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vitor Gaspar (ministro das finanças), acredita no conhecimento do passado para definir estratégias para o futuro!

Para aqueles que acreditam que para definir estratégias pensando no futuro, não precisamos conhecer o passado, aqui fica um trecho retirado da coluna "EM OFF" do jornal Expresso do passado sábado:

"... e o estilo de Gaspar Vitor Gaspar inaugurou um novo estilo de conferência de imprensa na apresentação do novo imposto. Antes de revelar as regras da sobretaxa que vai retirar uma parte do subsídio de Natal, começou por enquadrar a evolução da economia portuguesa durante a segunda metade do século XX e referiu-se até à ameaça malthusiana, numa alusão ao economista britânico nascido no século XVIII. Um enquadramento teórico muito interessante, (...) a verdade é que o estilo de Gaspar parece começar a fazer escola. O Em Off encontrou esta semana dois exemplos: um alto responsável bancário que durante uma apresentação, para explicar a situação atual, fazia a retrospectiva da história dos bancos em Portugal e o presidente executivo de uma grande empresa que, a propósito do futuro do negócio, aproveitava para lembrar o nascimento da empresa."

Muito há por fazer, no mundo corporativo em Portugal, relativamente ao resgate das histórias das Pessoas/empresas, que podem melhorar a gestão da reputação, gestão do conhecimento, comunicação interna, marketing, motivação, fidelização e, consequentemente, na definição das melhores estratégias para dar a volta por cima, na actual conjuntura que Portugal atravessa, onde no final, todos os stakeholders, e o país, sairão ganhando.

Boas decisões e...

Abraços saudáveis

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eurodeputados portugueses - com que moral, aceitam cortar salários daqueles que representam, mas não abdicam de viajar em classe executiva?


Escrevi hoje no Facebook a propósito da notícia que li no Público - Metade dos eurodeputados portugueses não abdica de viagens em executiva (clique aqui para lê-la na íntegra):

Tenho a certeza que alguns dos que agora votaram contra a emenda, quando recebiam ajudas de custo, em vez de reembolso da despesa (contra a apresentação do bilhete adquirido), viajavam em classe económica e ficavam com a diferença para eles. Ou seja, podem andar em classe económica, desde que lucrem com isso. Nos dias de hoje, é completamente inaceitável e temos que falar em nomes: José Manuel Fernandes (o relator), Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira. Do lado do PS, votaram contra os socialistas Luís Manuel Capoulas Santos e António Fernando Correia de Campos.

Eu não aceito este comportamento e vou fazer a minha parte!


Abraços saudáveis

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Memórias, Eficiência, Saúde e Solidariedade - 4 palavras para 2011!


Caros leitores, amigos, clientes, parceiros,

Para este Natal e Ano Novo, deixo-vos com 4 palavras:

Memórias - saibamos resgatar, tudo aquilo que temos de Bom, para potenciar em 2011, e reflectirmos sobre o que erramos, para (re)definirmos uma nova estratégia.

Eficiência- vamos fazer Bem, aquilo que apenas vamos fazendo. O impacto nos respectivos resultados será enorme e uma Boa surpresa para muitos.

Saúde (física, mental, financeira e empresarial) - comecemos 2011, a cuidar melhor do nosso corpo e mente, da nossa família (sermos melhores, maridos, mulheres, pais, avós, irmãos, filhos, sobrinhos, tios, ....). Saibamos reforçar o nosso "sistema imunitário" do ponto de vista financeiro, através da poupança e ferramentas adequadas para fazermos face a imprevistos que possam surgir. Nas nossas empresas, saibamos focar no que é verdadeiramente importante e agirmos em conformidade. Por outro lado, sejamos suficiente humildes e acreditemos no velho ditado, que nos ensinou que a união faz a força e façamos mais parcerias estratégicas.

Solidariedade - Boa disposição, Bom humor e uma verdadeira vontade de dedicarmos uma parte dos nossos recursos, de uma forma sistematizada, a quem mais precisa, fará toda a diferença para estes,e, podem acreditar, um Bem enorme a quem doa!

Foi isto que eu (re)aprendi em 2010 e procurarei fazer/aprimorar em 2011.

Votos de um Bom Natal e um Excelente Ano Novo.

Abraços saudáveis (em todos os sentidos!)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Meu "carro" novo, modelo Fanaka GTX chocolate (Gore Tex)

Publiquei hoje no Facebook:

Ontem fui buscar o meu "carro" novo, uns anti-sapatos MBT, modelo Fanaka GTX chocolate (Gore Tex), ao 3o andar do El Corte Inglês.

Consome 0 litros aos 100km, não polui, proporciona um prazer enorme ao caminhar (telefonei a um amigo e cliente que tr...abalha na rua Castilho e disse-lhe que ia até lá mostrar-lhe o meu "carro" novo (e claro falar sobre negócios!) e desfrutei do sol que estava ontem, do El Corte Inglês até lá, e não precisamos gastar tempo e dinheiro com parques de estacionamento!

"Um corpo mais saudável está à sua espera.
Basta dar um passo.

A vida moderna pode ser muito dura para o corpo.
Isto deve-se ao facto do corpo não estar preparado para caminhar sobre superfícies duras e planas, mas sim sobre superfícies suaves e irregulares. O princípio do desenho exclusivo da sola MBT é simular uma caminhada sobre superfícies naturais.
O calçado MBT está cientificamente comprovado na preparação de um corpo mais saudável, ao activar, reafirmar e tonifcar os seus músculos enquanto está de pé ou a andar.
Desta forma, podem ajudar a prevenir e aliviar a dor."

Fonte : Catálogo MBT que vinha na caixa do meu "carro"

Abraços saudáveis de um cliente muito satisfeito que sente vontade de recomendá-lo

domingo, 26 de setembro de 2010

"Um país com peso a mais" - um exemplo a não seguir!


Saibamos nós (portugueses e brasileiros), melhorar em tempo útil, os nossos hábitos alimentares (complementando com práticas não sedentárias) no sentido de preservarmos um dos patrimónios mais ricos que podemos ter - a nossa saúde!

Clique aqui para assistir a um vídeo de 2 minutos, publicado no Expresso online que descobri no mural de um amigo no Facebook.

Abraços saudáveis

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Exercício físico como "medicamento" anticancro "

Que bom que é, ver um vídeo com médicos, cientistas e investigadores, validando aquilo que pratico e procuro divulgar junto dos meus leitores, clientes, amigos,...

Do vídeo (de 8 minutos) que pode assistir, clicando aqui, retirei os trechos abaixo, para que acredite que vale a pena investir um pouco do seu tempo a ver algo que, talvez contribua de forma significativa, para a sua saúde, a saúde da sua família, colegas, ... e ainda para a saúde financeira de todos os envolvidos (família, empresa onde trabalha, segurança social,...)

"os cientistas têm agora provas concretas. Hoje sabemos que quando se faz desporto, quando se faz exercício, os músculos se contraem e o corpo activa muitos genes.
(...)
Também sabemos que quando se faz exercício, os músculos libertam certas substâncias no sangue que podem influenciar o cérebro, a massa gorda, o fígado e talvez o cancro.
(...).
Quem tem as mais elevadas taxas de diabetes tipo II, são pessoas como os taxistas ou os camionistas.
(...)
Tratamentos nem sempre têm que rimar com medicamentos!

Muito em breve, 10% da população europeia terá diabetes. (...) Precisamos de encontrar melhores maneiras de prevenir esta doença. E o exercício físico é a chave! Mas também precisamos usar o exercício no tratamento porque é mais barato do que uma grande parte das novas drogas.
(...)
O desafio é persuadir as pessoas para que compreendam que este é o caminho a seguir. Mudar o estilo de vida. Este é o desafio!"

Termino com uma pergunta provocadora:

Será que você, leitor, está com uma vida significativamente menos sedentária que a de um taxista ou camionista?

Pense bem, boas decisões e...

Abraços saudáveis

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Meu testemunho (e não só!) ao vivo na TVI sobre o prazer de usar os "anti-sapatos" MBT

No passado dia 28 de Janeiro do presente ano, publiquei aqui:

Venha de MBT em vez de carro para Lisboa e ainda poupa dinheiro!

Com alguns meses de atraso, aqui fica a gravação do programa na TVI (10 minutos), cuja mensagem continua a fazer todo o sentido, para bem da nossa saúde e até para a gestão do nosso tempo e dinheiro.

Clique aqui para assistir ao vídeo.

Saliento ainda que, caminhar (excepto em dias de muito calor e ou chuva com vento), é um prazer diário do qual, não deveríamos abdicar!

Abraços saudáveis

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Ser MAGRO não chega!" - trecho da minha entrevista à revista Gingko


Espero com este post, levar várias pessoas a tornarem-se mais saudáveis e leitoras assíduas da revista Gingko, uma publicação que número após número, nos faz BEM!

"(...)
João Carvalho é um excelente exemplo deste novo protagonismo. Ninguém diria que está prestes a fazer 47 anos. Os resultados de quatro anos de revolução saudável estão à vista. Como o próprio se apresenta no seu blogue (joaomarquescarvalho.blogspot.com), é “alguém que desde
2006, juntamente com a família, é cobaia num programa de qualidade de vida que deu tão certo que agora quer difundi-lo para o maior número de pessoas possível”.

Por razões profissionais João teve de pensar em formas que tornassem mais saudável a vida dos trabalhadores de uma empresa sua cliente. Primeiro resolveu aplicar em si as sugestões. “Sermos saudáveis é um chip que muda. É acharmos que é mesmo importante e ver o que podemos fazer para isso”, resume.

João começou por comprar um pedómetro para controlar o seu objectivo: atingir os oficiais 10 mil passos/dia, quando uma pessoa é considerada activa. Passou a andar de transportes públicos, a usar as escadas em vez de o elevador, a sair numa estação antes do destino para fazer o resto do percurso a pé, a levantar a loiça do jantar em várias vezes para multiplicar as deslocações.

Ao mesmo tempo aperfeiçoou a alimentação. “A comida saudável, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, é mais saborosa. E acaba por ser um duplo prazer porque sei que estou a fazer bem a mim próprio”. Não está mais do que três horas sem comer, escolhe alimentos
integrais, privilegia o peixe e bebe muita água fora das refeições. “Antes estava ao computador cheio de sede, mas não me levantava porque queria primeiro acabar o trabalho. Agora a minha prioridade sou eu. Estando bem sou mais produtivo”, defende.

Deixa os seguintes conselhos: “O prazer tem de estar sempre associado. Se fizermos sem prazer, ao fim de dois/três meses desistimos. As mudanças têm de ser ao nosso próprio ritmo, e o que interessa é a tendência. O importante é sentirmos que mês após mês, ou ano após ano, estamos melhor do que estávamos antes”.
(...)"

Abraços saudáveis

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"Portugal vai liderar luta global contra deficiências nutricionais"

Existe tanto por fazer, muitas vezes coisas simples e acessíveis, no que respeita aos nossos bons hábitos alimentares, que fico satisfeito com a notícia mencionada em epígrafe.

Usando o bom senso, podemos melhorar a nossa saúde (energia e boa disposição incluída) e consequentemente as relações familiares, profissionais, aumentar a produtividade, reduzir custos (tão importante na época em que vivemos) nas empresas, na saúde pública, nos orçamentos domésticos, etc.

Estamos a falar de um tema que tem que ser considerado prioritário por todos e não apenas algo "simpático" que uns senhores bem intencionados, sentem vontade de fazer!

"Portugal vai integrar e liderar uma equipa de trabalho internacional que irá investigar e desenvolver medida que lutem contra as deficiências nutricionais. Esta equipa fará parte do projecto “Nutrition, Physical, Activity and Inaqualities” e será coordenada, internacionalmente, pela actual estrutura da Plataforma contra a Obesidade.

Travar desigualdades e repor o equilíbrio nutricional, tendo como ponto de partida a mudança de mentalidades, é o objectivo da nova task force liderada por profissionais portugueses.

Na Europa, os maiores problemas de saúde estão associados a erros alimentares e inactividade física, com uma maior prevalência para as doenças cardiovasculares. Logo a seguir surgem os problemas associados à obesidade e à má nutrição.

De acordo com o Nutrition Awards, regista-se actualmente um aumento dos problemas provocados pelas deficiências nutricionais, potenciados pelo aumento das desigualdades sociais, baixos rendimentos e baixa escolaridade. Não é por acaso que as classes mais desfavorecidas são as que registam maior prevalência de pré-obesidade e obesidade.

Segundo afirmou durante o último Congresso de Nutrição de Alimentação João Breda, regional adviser nutrition da Organização Mundial de Saúde, nas últimas décadas o problema da obesidade continuar a crescer, apesar de todas as campanhas lançadas entretanto.

Aliás, assiste-se hoje em dia a um movimento global ao nível da nutrição. Reflexo disso são os inúmeros documentos e recomendações internacionais e nacionais que apontam sugestões e mecânicas para a tomada de consciência para o problema e uma mudança de comportamento.

A escolha de profissionais portugueses para liderar esta equipa de trabalho tem como pano de fundo algumas de medidas tomadas, em território nacional, para lutar contra a obesidade, como o Programa Fruta nas Escolas – que fornece fruta às crianças duas vezes por semana, entre outras." (fonte: GREENSAVERS)

Abraços saudáveis


terça-feira, 15 de junho de 2010

"Cadê o charme da mulher brasileira?"


Excelente, o artigo escrito pela Cristiane Segatto, repórter especial da ÉPOCA, que também se aplica ao charme da mulher portuguesa e que aqui publico na íntegra.

"A indústria tenta associá-lo ao cigarro. Seria uma conversa apenas absurda se não fosse cruel

  Reprodução
PROPAGANDA DE CIGARRO
Uma foto reveladora de um tempo que, felizmente, já passou

Não faz muito tempo estava na praia com meu marido quando ele chamou minha atenção para essa foto. Ele tinha certeza de que algum dia eu daria um jeito de escrever sobre ela. Acertou. Naquele feriadão, o Dante procurou nas prateleiras lá de casa um livro que combinasse com praia. Decidiu reler Ela é carioca: uma enciclopédia de Ipanema, do jornalista Ruy Castro. Quer companhia melhor para um dia de sol e preguiça? Pois, então. A foto, publicada no livro, integrava a campanha publicitária de lançamento do cigarro Charm. Nos anos 70, foi espalhada nos outdoors das grandes cidades com a frase: “No Brasil tôda mulher tem Charm”.


Vinte e cinco mulheres famosas posaram para as lentes do célebre fotógrafo da revista Life David Zingg. Todas com um cigarro entre nos dedos. Consegui reconhecer Danuza Leão, Leila Diniz, Elke Maravilha e Clementina de Jesus (que, segundo Ruy Castro, não era fumante). Não encontrei a legenda dessa foto em lugar nenhum. É uma pena. Adoraria poder identificar cada uma das celebridades. Se alguém reconhecer alguma delas, por favor, conte pra gente.

É curioso observar os padrões de comportamento ditados pelo marketing e a influência dele sobre nossas escolhas. A indústria tabagista conseguiu convencer algumas gerações de mulheres de que para ser linda, sensual, charmosa e, pricipalmente, livre era preciso fumar.

Esse convencimento não é feito no plano racional. Nesse plano, seria quase impossível convencer uma mulher a fumar. A mensagem não colaria simplesmente porque o cigarro é incompatível com a vaidade feminina. Como convencer alguém a comprar um produto que, antes de matar, destrói a beleza? Se quisesse ser fiel aos atributos de sua marca, a indústria teria que anunciar algo assim: “fume esses cigarros por duas décadas e, aos 40 anos, você terá a pele de um maracujá e os dentes de um cão sem dono.”

Como esses atributos são invendáveis, a indústria vende o intangível. Vende uma aura, uma atitude, uma imagem. Para fazer essa imagem colar, usou (por várias décadas) o cinema, os editoriais de moda, os outdoors. A partir da aprovação de várias restrições à propaganda de cigarro, a indústria passou a adotar outros recursos para conquistar a juventude: patrocina eventos bacanas, distribui amostras grátis, entre outras coisas.

Um dia desses fui almoçar no shopping e parei para tomar um café. Ao lado do caixa, uma mocinha promovia uma marca nova. Quando ela me ofereceu uma amostra grátis, levei um susto. E respondi como se estivesse vendo um ET. “Você está me oferecendo cigarro? Cigarro? Esse tipo de promoção ainda existe? Isso é permitido?”

Sinceramente não sabia que a lei ainda permite esse tipo de ação promocional. Com tanto conhecimento disponível sobre os males do cigarro (para ficar só em um exemplo, confira aqui como ele pode provocar AVC em mulheres jovens) e com o sucesso das leis antifumo, aquela cena me pareceu deslocada no tempo e no espaço. Enquanto olhava a moça, minha mente voltou à porta da escola da minha infância. Experimentei uma espécie de déjà vu. Já contei essa história aqui, mas vale a pena voltar a ela.

Quando eu tinha 12 anos e estudava numa escola pública da Freguesia do Ó, fui abordada por uma dessas mocinhas. Isso mesmo. Naquele tempo a indústria do tabaco se sentia autorizada a viciar crianças na porta da escola, no meio da tarde. A moça que promovia uma marca nova me entregou uma amostra-grátis com três cigarros. Sozinha, escondida no quintal de casa, resolvi experimentar. Achei o gosto horrível e desisti.

Foi a única vez que coloquei um cigarro na boca. Por sorte, achei a experiência péssima e escapei de ser fumante. Muitas outras garotas não escaparam. Por que aceitei tão facilmente o convite da promotora se cresci num ambiente livre do cigarro? Meus pais nunca fumaram, meus amigos não fumavam e meus professores nunca fumaram na frente dos alunos.

Fiz isso pela mesma razão que leva tantas meninas a experimentar cigarro ainda hoje. Queria ser gente grande (com 12 anos ???), dona do meu nariz. “O adolescente quer ser adulto. Como só os adultos podem fumar, ele acha que o cigarro é sinal de que não é mais criança”, diz Valéria Cunha, chefe da divisão de controle do tabaco do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Oferecer cigarros a crianças é evidentemente uma ilegalidade. Mas essa prática é menos ocasional do que eu imaginava. A pesquisa Vigescola, uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde para monitorar o uso de cigarros pelos adolescentes, flagrou o problema no Brasil. A pesquisa foi realizada em 2002 e 2003 com estudantes de 13 a 15 anos de escolas públicas e privadas. Vários alunos relataram ter recebido cigarros de representantes da indústria. Em Fortaleza, 13,9% dos alunos tiveram acesso ao cigarro dessa forma. O índice foi de 12,9% em Boa Vista e acima de 10% em Porto Alegre, Vitória e Palmas.

É espantoso que isso aconteça no Brasil em pleno século XXI, não é? As estratégias da indústria para conquistar a garotada é uma das grandes preocupações da OMS. No dia 31 de maio, a entidade promoveu o Dia Mundial Sem Tabaco. O tema deste ano é o marketing direcionado ao público feminino, principalmente às adolescentes e às jovens.

A OMS investigou o tabagismo entre os jovens em 151 países. Em metade deles, a parcela de garotas fumantes é semelhante à verificada entre os meninos. Em alguns países, já há mais fumantes adolescentes do sexo feminino do que masculino. Quem fuma na adolescência tem grandes chances de continuar fumando na idade adulta. Para combater a imagem de glamour que a indústria ainda tenta associar ao cigarro, a OMS está divulgando cartazes como este:

  Reprodução
O poster imita a capa de uma revista de moda e traz a chamada: “Chique? Não, câncer de garganta”.

Em muitos círculos sociais, fumar está fora de moda. Não em todos, infelizmente. Sempre que o assunto é estilo e bom gosto, Danuza Leão costuma ser ouvida. Na foto dos anos 70, Danuza é a linda moça no centro da primeira fila. Veste camiseta verde e vermelha. Danuza foi modelo, socialite e hoje publica ótimas crônicas na Folha de S. Paulo. No ano passado, ela escreveu um texto que reflete a decadência que o tabagismo vive - e a que ele causa. Reproduzo aqui o texto exemplar de Danuza.

Nos anos 40, todos os filmes mostravam os atores e atrizes fumando, e isso fazia parte do glamour da época. Lembro da cena de um filme em que o ator punha dois cigarros na boca, acendia os dois e passava um deles para a atriz com quem contracenava. Quanta burrice; quanta ignorância. Eu também fui burra e ignorante durante anos, e apesar de ter sido alertada por tanta gente, só parei de fumar no tranco, isto é, quando meus pulmões pediram socorro (...) Está aí uma coisa de que me arrependo muito: ter sido fumante. (...) A indústria é poderosa, mas está se ferrando no mundo todo; e tomara que se ferre mais ainda. Que vergonha eu tenho do tempo em que me achava moderna e rebelde e fazia a apologia do fumo. E que raiva eu tenho de mim mesma, quando quero andar mais rápido e não consigo, porque minha respiração falha.”

Aqui na revista convivo com muitas moças inteligentes. A emancipação feminina já havia sido conquistada há muito tempo quando essas meninas nasceram. Ser ou não ser livre é uma questão que nunca esteve no horizonte delas. Em relação aos costumes, elas são livres. Nasceram livres. A independência pela qual batalham é financeira. E batalham com as armas certas: com disciplina, talento e conhecimento. Nunca precisaram do cigarro para demonstrar coisa alguma. São lindas, sensuais e charmosas. O charme das brasileiras continua a estar onde sempre esteve: na alegria, na espontaneidade, na beleza mestiça e na disposição diária de avançar e ser feliz. O cigarro não tem nada a ver com isso.

Você concorda? Discorda? Tem alguma experiência ou opinião sobre o cigarro? Conte pra gente. Queremos ouvi-la."

Que as palavras da Cristiane Segatto, possam ser a gota de água para que muitas mulheres (charmosas) brasileiras e portuguesas (especialmente as mais jovens) tomem a decisão de reduzir/eliminar o hábito de fumar e, todos nós, façamos algo mais para que a indústria do tabaco não continue a lucrar impunemente com a nossa (ausência) de saúde/vida!

Abraços saudáveis

sábado, 5 de junho de 2010

Solução para termos BONS políticos que efectivamente defendam os nossos interesses!


De vez em quando gosto de relembrar os meus leitores que o principal propósito do que escrevo/publico é dar o meu humilde contributo para mudanças saudáveis no Estilo de Vida do maior número possível de pessoas (na área da saúde, financeira, social, etc).

Claro que o ideal é ter sempre mensagens curtas que promovam as tais mudanças, tendo em conta a escassez do recurso tempo que todos sentimos. No entanto tem artigos, vídeos, etc com um conteúdo que considero relevante partilhar neste blog mesmo sabendo que cada um dos destinatários tenha que reservar um período de tempo que pode chegar a cerca de uma hora.

É o caso do vídeo de hoje que tem a duração de 52m, mas com duas intervenções (sem demérito para as outras duas que merecem o meu aplauso e com as quais aprendemos a garra que é preciso ter para se conseguir ser um empreendedor/empresário bem sucedido) que vale a pena assistir, porque nos indicam direcções claras que podemos seguir para conseguirmos ter governantes a nível local e nacional que verdadeiramente defendam os nossos interesses.

Estou a falar do sr. Joaquim Casado, ex-presidente da Junta de Freguesia da Ericeira (Portugal) e do João Nogueira Santos pai da ideia de aderirmos massivamente aos partídos políticos.

Vale a pena ouvir o que ambos têm para nos dizer clicando aqui .
Fonte: Sic Notícias, programa Expresso da Meia-Noite

Nota: exemplos totalmente aplicáveis ao Brasil (minha segunda casa!)

Abraços saudáveis

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ernâni Lopes - soube fazer e quando fala, fá-lo bem!

Caro leitores (especialmente em Portugal),

Tive o privilégio e a honra de ter sido aluno do Prof. Ernâni Lopes e realmente, aquelas aulas teóricas enchiam e ficavamos pregados à cadeira até ao último segundo.

É um homem que que tem o raro dom de combinar um elevado conhecimento técnico com uma postura humana, realista e pedagógica, capazes de unir os portugueses naquilo que eles próprios tem que resolver - criação de riqueza e gastarem menos do que aquilo que produzem.

O que precisamos fazer ou melhor, não tolerar mais, para que talentos como os do Prof. Ernâni Lopes sejam colocados, de novo, ao serviço de de Portugal?

Nota para os meus leitores brasileiros: não tenho dúvida em afirmar que o Ernâni Lopes é o equivalente em Portugal ao Henrique Meirelles no Brasil, que todos sabem com grande mestria, conseguiu colocar a economia do Brasil, numa trajectória muito "simpática", desde que aceitou em 2002, o cargo de presidente do Banco Central.

Clique aqui para ouvir as sábias palavras do Prof. Ernâni Lopes (vídeo de 52m).

Abraços saudáveis

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"William Li: Can we eat to starve cancer?"


Tive a honra e o privilégio de estar no passado dia 15 do corrente mês, no TEDxLisboa . Enquanto aguardo os vídeos oficiais com as excelentes apresentações dos palestrantes que estiveram presentes, publico hoje, mais um vídeo com o carimbo de qualidade TED , intitulado William Li: Can we eat to starve cancer? (clique aqui para assistir)

Deixo-vos com a sinopse do vídeo que fala por si, sobre a importância dos nossos sistemas de saúde (Brasil e Portugal), deixarem de "apenas" gerir as nossas doenças (sempre com honrosas excepções!) e actuarem de uma forma muito mais pró-activa e integrada com outros players (famílias, escolas, governos, empresas, etc) na gestão da saúde, soluções acessíveis a milhões de pessoas e muito mais baratas, como é o caso de uma alimentação saudável e saborosa.

"William Li presents a new way to think about treating cancer and other diseases: anti-angiogenesis, preventing the growth of blood vessels that feed a tumor. The crucial first (and best) step: Eating cancer-fighting foods that cut off the supply lines and beat cancer at its own game."

Caro leitor, faça a sua parte e assista (duração de 20 minutos), reflicta, mude os seus hábitos, divulgue (em casa e fora dela), converse com o seu médico, exija políticas concretas nesta área dos nossos governantes, ....

Pena não ter a versão em português, mas estou disponível para conversar com quem tiver dificuldade em traduzir o seu conteúdo.

Abraços saudáveis

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"(...) uma profissão de futuro será a de agricultor vertical."


O jornal metro publicou um artigo muito interessante no passado dia 22 de abril sobre quintas verticais, o qual poderá ler na íntegra, clicando aqui.

Deixo aqui alguns dos trechos do respectivo artigo para verem como quando o Homem quer, encontra soluções "saudáveis" para tudo.

"O Mundo está à beira de uma revolução agrícola. As produções tradicionais não respondem às necessidades. Em breve serão substituídas, nas grandes cidades, por quintas em altura. Os alimentos serão cultivados em antigos armazéns, fábricas desactivadas, lotes vazios e arranha céus.
(...)
Em breve, 90% dos ocidentais vão viver em cidades. A maior parte da sua comida, vem de outras cidades e países, o que é insustentável.
(...)
Sabe como se produz numa quinta vertical ?

As sementes são plantadas em vasos colocados em tabuleiros cheios de água tratada com produtos específicos. Os tabuleiros estão empilhados (3,4 metros de altura) (...) . Nas cidades em que seja preciso criar mais empregos, as plantas podem ser regadas manualmente.

As quintas em altura podem ser arranha-céus. Dickinson Despommier, professor de Saúde Ambiental na Universidade de Columbia (EUA) criou uma quinta de 30 andares, capaz de alimentar 30.000 pessoas.

Cada piso tem um sistema de verificação de água e nutrientes, e cada planta tem um chip que controla os nutrientes absorvidos.

"À medida que os países se desenvolvem, as pessoas querem mais e melhor comida", explica Rohit Talwar, CEO da empresa de previsões Fast Future. "Há também uma preocupação com a distância que a comida tem de percorrer para chegar ao consumidor.
(...)
[Os alimentos] Também fazem bem à saúde...

O produtos frescos cultivados nas quintas em altura encorajariam hábitos de alimentação mais saudáveis. Cientistas acreditam que os principais problemas alimentares iriam diminuir.

... e à saúde de muita gente!

Com o aumento populacional, o Mundo precisará de mais mil milhões de hectares aráveis em 2050 - mais ou menos a área do Brasil e muito mais do que aquela que estará disponível.
(...)
20 prédios destes [de 30 andares] dariam para alimentar Lisboa e o Porto com vitaminas e proteínas."

Abraços saudáveis

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

50.000 bicicletas grátis espalhadas por 2.000 pontos na cidade


Neste primeiro artigo pós carnaval, publico um exemplo simpático vindo da China que disponibilizou 50.000 bicicletas, distribuidas por 2.000 pontos espalhados pela cidade (Hangzhou), onde as pessoas podem usá-las gratuitamente (desde que de hora a hora, a entreguem num desses tais pontos logísticos e peguem essa mesma ou uma outra qualquer.

A saúde, a boa disposição, o tempo disponível, a segurança e o bolso dos habitantes, bem como os turistas e o próprio ambiente, agradecem.

Fica claro que quando existe vontade política, é sempre possível fazer algo mais em prol da Qualidade de Vida.

Cliquem aqui para assistirem ao vídeo (duração inferior a 3 minutos).

Abraços saudáveis

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"(...) aquilo que determina, em grande parte a saúde, são as opções que cada um toma sobre o seu estilo de vida."


Melhorar a Qualidade de Vida
das pessoas e ou Reduzir Custos nas empresas na área da Saúde (para além da melhora da motivação, criatividade, produtividade, etc) é um trabalho continuado de acompanhamento do envolvimento de cada uma daquelas na respectiva mudança de hábitos de uma forma consistente e prazerosa.

E como a solução está em cada um de nós (as empresas "apenas" podem (e devem) funcionar como promotoras e incentivadoras de comportamentos saudáveis) quantos mais profissionais bem intencionados tivermos nesta área melhor.

Por isso, é com muita satisfação que hoje tomei conhecimento do Blog do António Novaes que recomendo aos meus leitores (cliquem aqui para acessá-lo)

E como costumo fazer, aqui têm uns trechos para conhecerem o tipo de mensagem que ele pretende passar:

As doenças crónicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, cancro, patologia respiratória crónica, diabetes mellitus, as doenças osteoarticulares e as perturbações da saúde mental, como a depressão) constituem, hoje, a principal causa de morbilidade e mortalidade nas sociedades desenvolvidas.
(...)
A experiência acumulada permite concluir que a intervenção sobre os estilos de vida, obriga à implementação de estratégias de promoção da saúde, multissectoriais e multidisciplinares, compreensivas, diversificadas, continuadas e sujeitas a avaliação.

Segundo a Carta de Ottawa (OMS,1986), essas estratégias podem sistematizar-se em cinco grandes domínios – definição de políticas, legislação e regulamentação; criação de ambientes de suporte; reforço da acção comunitária; informação, educação para a saúde e capacitação individual e colectiva (empoderamento) e reorientação dos serviços de saúde.”

Dados recolhidos ao longo de anos suportam assim o facto de que aquilo que determina, em grande parte a saúde, são as opções que cada um toma sobre o seu estilo de vida. A forma como cada um vive determina o seu nível de saúde e a percepção do seu estado determina, por sua vez, a qualidade de vida. A tomada de consciência desta ligação revela ao sujeito a necessidade de terminar determinados comportamentos e adquirir novos que contribuam para a instalação de hábitos saudáveis e que lhe permitam viver a vida que tanto ambiciona. Por vezes o processo é simples, noutros casos é menos simples, inserindo-se nestes últimos aqueles em que o indivíduo, sabendo que são importantes porque o afectam de alguma forma, se vê sistematicamente impedido de resolver por si mesmo, caso contrário já há muito que o teria feito. Atendendo a este cenário, existe uma aceitação crescente de que as pessoas necessitam de um aliado com quem trabalhem, não um profissional que diagnostica e prescreve determinados tratamentos ou comportamentos a adoptar, mas sim de um que está disponível para eles, que os motiva e inspira na adopção de hábitos conducentes à melhoria da qualidade de vida. Um aliado cuja abordagem o induz a pensar em possibilidades, a utilizar os seus recursos, que o responsabiliza pela escolha do seu caminho e o desafia a ser o seu melhor, resultando no seu crescimento e alegria de viver. Alguém com quem celebra as vitórias.
O meu contributo para a promoção de saúde, insere-se assim no domínio estratégico da capacitação individual (empoderamento) referida na Carta de Ottawa, ainda que com uma abrangência mais lata que a decorrente do conceito de saúde, introduzindo um conceito de exploração, crescimento e optimização permanentes da utilização dos recursos da pessoa, com vista ao alcance do máximo potencial e permitindo paralelamente o prazer de viver, inserindo-se desta forma no âmbito do Wellness.
(...)"

Caro António, agradeço as tuas sábias palavras em nome dos meu leitores e faço votos para que tenhas o maior sucesso neste teu projecto profissional (e de vida!). Aqui estou para o que necessitares!

Abraços saudáveis

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"(...) os poderosos se comportam de facto com hipocrisia, condenando mais as transgressões dos outros do que as suas"


Se queremos ter empresas mais "saudáveis" precisamos saber selecionar os Talentos que nela irão colaborar.

Se temos conhecimento (clique aqui para ler o artigo completo da Economist publicado no site do jornal Expresso) através de estudos realizados que existe uma tendência natural para o poder corromper aqueles que o têm (no sentido mais comum da palavra!) então empresários, sócios, accionistas e líderes (quando selecionarem outros) devem fazer um esforço adicional para contratarem alguém que verdadeiramente defenda os interesses da respectiva empresa e manterem um sistema de monitoramento também ele saudável.

Aqui ficam uns trechos interessantes dos testes feitos:

"(...)
No primeiro estudo que realizaram, os drs. Lammers e Galinsky pediram a 61 estudantes universitários que escrevessem sobre um momento do seu passado em que tivessem estado numa situação de poder, grande ou reduzido. Investigações anteriores tinham determinado que esta fórmula era eficaz para 'treinar' pessoas para se sentirem como se estivessem nessa situação. Cada grupo (grande poder e poder reduzido) foi depois dividido em dois novos grupos. A metade foi pedido que, numa escala moral de nove pontos (em que 1 correspondia a altamente imoral e 9 a altamente moral), classificasse quão censurável seria alguém apresentar no emprego despesas de viagem acima das reais.
(...)
No caso das despesas de viagem - em que a questão se centrava do comportamento de terceiros -, os membros do grupo de grande poder classificaram-na em média com 5,8 na escala de 9 pontos. Os membros do grupo com pouco poder atribuíram-lhe 7,2 pontos. Por outras palavras, os poderosos proclamaram ser a favor da moralidade. No jogo de dados, contudo, os membros do grupo com muito poder indicaram, em média, ter tirado 70, enquanto os indivíduos com fraco poder indicaram, em média, 59. Embora os indivíduos do grupo de poder reduzido possam ter feito uma pequena batota (a média previsível dos resultados seria 50), os voluntários com grande poder estavam indiscutivelmente a fazer batota - talvez levando demasiado à letra a expressão "jogador de alto nível"
(...)
No seu conjunto, estes resultados indicam de facto que o poder tende a corromper e a incentivar uma tendência hipócrita para exigir aos outros um comportamento mais rigoroso do que o do próprio.
(...)
Só as pessoas insignificantes pagam impostos...

Em ambos os casos, os participantes utilizaram a escala de 1 a 9 aplicada na primeira experiência. Os resultados mostraram que, na verdade, os poderosos têm comportamentos hipócritas. Acharam que o facto de outros excederem o limite de velocidade por estarem atrasados merecia uma pontuação de 6,3, enquanto que, se fossem eles próprios a exceder esse limite, mereciam 7,6 pontos. Em contrapartida, os indivíduos com pouco poder pontuaram todos por igual. Atribuíram 7,2 a si próprios e 7,3 aos outros - uma diferença insignificante, do ponto de vista estatístico. No caso da fuga aos impostos, os resultados foram ainda mais impressionantes. Os indivíduos com grande poder acharam que, quando violavam as leis fiscais, os outros mereciam 6,6 na escala de moralidade, mas se fossem eles próprios a fazê-lo mereciam 7,6. Neste caso, os indivíduos com pouco poder foram mais benevolentes com os outros e mais exigentes consigo próprios, com classificações de 7,7 e 6,8 respectivamente.

Estes resultados sugerem, portanto, que os poderosos se comportam de facto com hipocrisia, condenando mais as transgressões dos outros do que as suas. O que não é uma grande surpresa, embora seja sempre agradável ver a percepção vulgar confirmada por uma análise sistemática. Outra noção comum é que, quando são apanhados, os poderosos mostram quase sempre poucos remorsos. Não é só o facto de atropelarem o sistema - também parecem acreditar que têm esse direito. Para investigar este aspecto, Lammers e Galinsky conceberam uma terceira série de experiências, tendo em vista dissociar o conceito de poder do conceito de prerrogativa. Para tal, os investigadores modificaram o modo de preparar as pessoas.(...)

Por conseguinte, defendem que as pessoas detentoras de um poder que consideram justificado violam as regras, não apenas porque podem ficar impunes mas também porque, ao nível intuitivo, sentem que têm o direito de fazer o que querem. Este sentimento de prerrogativa é essencial para se entender o motivo porque os detentores de altos cargos transgridem. Sem esse sentimento, as prevaricações seriam menos prováveis. A palavra "privilégio" traduz-se por "lei privada". Se Lammers e Galinsky tiverem razão, a sensação que alguns poderosos parecem ter de não estarem sujeitos às mesmas regras não é apenas uma cómoda cortina de fumo: é uma verdadeira convicção.
(...)"

Agora que experiências validam o nosso senso comum, vamos aproveitar aquelas para reflectir e agir em conformidade.

Se queremos um Portugal, um Brasil, etc melhores, temos que conseguir eliminar gradualmente este tipo de hipocrisias.

Boas decisões e ...

Abraços saudáveis

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Entrevista a Christophe de Dejours "Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal" - talvez o melhor artigo publicado no meu Blog!


No Blog Outro Portugal do Paulo Borges (vale a pena visitar) podemos ler na íntegra (clique aqui ) aquela que considero a melhor entrevista dos últimos tempos por parte do jornal Público, cujo tema, se colocado no patamar que merece e trabalhado por accionistas, executivos, governos, políticos e cada um de nós, poderá dar a origem a uma mudança de paradigma relativamente aos actuais modelos de gestão utilizados na maior parte dos países com resultados crescentes e sustentados.

Como a entrevista é grande, deixo aqui alguns trechos para que cada leitor possa validar que estamos a falar de um artigo de leitura obrigatória. Que cada um tenha coragem para o ler até até ao fim, incorporar o seu conteúdo, para o divulgar e promover e principalmente para o aplicar à sua própria realidade.

O mundo precisa de fazer as mudanças nele enunciadas!

"Nos últimos anos, três ferramentas de gestão estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos: a avaliação individual do desempenho, a exigência de “qualidade total” e o outsourcing. O fenómeno gerou doenças mentais ligadas ao trabalho. Christophe Dejours, especialista na matéria, desmonta a espiral de solidão e de desespero que pode levar ao suicídio.

Psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, Christophe Dejours dirige ali o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental. Esteve há dias em Lisboa, onde, (...) falou do sofrimento no trabalho. Não apenas do sofrimento enquanto gerador de patologias mentais ou de esgotamentos, mas sobretudo enquanto base para a realização pessoal.
(...)
O suicídio ligado ao trabalho é um fenómeno novo?
O que é muito novo é a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho. Apareceu em França há apenas 12, 13 anos.
(...)
O que é que mudou nas empresas?
A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário.

A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.”

Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe…

Mas o assédio no trabalho é novo?
Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco. Aí é que se torna difícil sair do poço, sobretudo para os que gostam do seu trabalho, para os mais envolvidos profissionalmente. Muitas vezes, a empresa pediu-lhes sacrifícios importantes, em termos de sobrecarga de trabalho, de ritmo de trabalho, de objectivos a atingir. E até lhes pode ter pedido (o que é algo de relativamente novo) para fazerem coisas que vão contra a sua ética de trabalho, que moralmente desaprovam.

Qual é o perfil das pessoas que são alvo de assédio?
São justamente pessoas que acreditam no seu trabalho, que estão envolvidas e que, quando começam a ser censuradas de forma injusta, são muito vulneráveis. Por outro lado, são frequentemente pessoas muito honestas e algo ingénuas. Portanto, quando lhes pedem coisas que vão contra as regras da profissão, contra a lei e os regulamentos, contra o código do trabalho, recusam-se a fazê-las. Por exemplo, recusam-se a assinar um balanço contabilista manipulado. E em vez de ficarem caladas, dizem-no bem alto. Os colegas não dizem nada, já perceberam há muito tempo como as coisas funcionam na empresa, já há muito que desviaram o olhar. Toda a gente é cúmplice. Mas o tipo empenhado, honesto e algo ingénuo continua a falar. Não devia ter insistido. E como falou à frente de todos, torna-se um alvo. O chefe vai mostrar a todos quão impensável é dizer abertamente coisas que não devem aparecer nos relatórios de actividade.

Um único caso de assédio tem um efeito extremamente potente sobre toda a comunidade de uma empresa. Uma mulher está a ser assediada e vai ser destruída, uma situação de uma total injustiça; ninguém se mexe, mas todos ficam ainda com mais medo do que antes. O medo instala-se. Com um único assédio, consegue-se dominar o colectivo de trabalho todo. Por isso, é importante, ao contrário do que se diz, que o assédio seja bem visível para todos. Há técnicas que são ensinadas, que fazem parte da formação em matéria de assédio, com psicólogos a fazer essa formação.

Uma formação para o assédio?
Exactamente. Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato.
(...)
O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio.
(...)
Voltando ao perfil do assediado, é perigoso acreditar realmente no seu trabalho?
É. O que vemos é que, hoje em dia, envolver-se demasiado no seu trabalho representa um verdadeiro perigo. Mas, ao mesmo tempo, não pode haver inteligência no trabalho sem envolvimento pessoal – sem um envolvimento total.
(...)
Falou de “qualidade total”. O que é exactamente?
É uma segunda medida que foi introduzida na sequência da avaliação individual. Acontece que, quando se faz a avaliação individual do desempenho, está-se a querer avaliar algo, o trabalho, que não é possível avaliar de forma quantitativa, objectiva, através de medições. Portanto, o que está a ser medido na avaliação não é o trabalho. No melhor dos casos, está-se a medir o resultado do trabalho. Mas isso não é a mesma coisa. Não existe uma relação de proporcionalidade entre o trabalho e o resultado do trabalho.
(...)
Para além de que declarar a qualidade total é catastrófico, justamente porque a qualidade total é um ideal. É importante ter o ideal da qualidade total, ter o ideal do “zero-defeitos”, do “zero-acidentes”, mas apenas como ideal.

Em diabetologia, por exemplo, os gestores introduziram a obrigação de os médicos fazerem, para cada um dos seus doentes, ao longo de três meses, a média dos níveis de hemoglobina glicosilada A1c [ri-se], que é um indicador da concentração de açúcar no sangue. A seguir, comparam entre si os grupos de doentes de cada médico – é assim que controlam a qualidade dos cuidados médicos. [ri-se].

Só que, na realidade, quando tratamos um doente, às vezes o tratamento não funciona e temos de perceber porquê. E finalmente, o doente acaba por nos confessar que não consegue respeitar o regime alimentar que lhe prescrevemos, porque inclui legumes e não féculas e que os legumes são mais caros... Tem três filhos e não tem dinheiro para legumes. E então, vamos ter de encontrar um compromisso.

Da mesma forma, se um doente diabético é engenheiro e tem de viajar frequentemente para outros fusos horários, torna-se muito difícil controlar a sua glicemia com insulina. Mais uma vez, vai ser preciso encontrar um meio-termo. E isso é difícil.

Mesmo uma central nuclear nunca funciona como previsto. Nunca. Por isso é que precisamos de “trabalho vivo”. A qualidade total é um contra-senso porque a realidade se encarrega de fazer com que as coisas não funcionem de forma ideal. Mas o gestor não quer ouvir falar disso.

Ora, quando o ideal se transforma na condição para obter uma certificação, o que acontece é que se está a obrigar toda a gente a dissimular o que realmente se passa no trabalho. Deixa de ser possível falar do que não funciona, das dificuldades encontradas. Quando há um incidente numa central nuclear, o melhor é não dizer nada.

Isso é extremamente grave.
É. E em medicina passa-se a mesma coisa. Faz-se batota. Hoje, existem nos hospitais as chamadas “conferências de consenso” – acho que existem em toda a Europa – onde são feitas recomendações precisas para o tratamento de tal ou tal doença. E quando um médico recebe um doente, tem de teclar no computador para ver o que foi estabelecido pela conferência de consenso. O médico, que tem o doente à sua frente, pensa que essa não é a boa abordagem – porque sabe que o doente tem problemas com a mulher, com os filhos e não vai conseguir fazer o tratamento recomendado. Mas sabe também que se não fizer o que está lá escrito, e se por acaso as coisas derem para o torto, poderá haver um inquérito, a pedido da família ou de um gestor, e vão dizer que foi o médico que não fez o que devia. O problema da qualidade total é que obriga muitos de nós a viver essa experiência atroz que consiste em fazer o nosso trabalho de uma forma que nos envergonha.

Há muitos suicídios entre os médicos?
Cada vez mais. Há especialidades com mais suicídios do que outras – nomeadamente entre os médicos reanimadores. Em França é uma verdadeira hecatombe: é sabido que a profissão de anestesista-reanimador é das que têm maior taxa de suicídios. Nesta especialidade, os riscos de ser-se atacado em tribunal porque alguém morreu são tão elevados que os médicos se protegem seguindo as instruções. Mesmo que tenham a íntima convicção de que não era isso que deveriam fazer. Chegámos a esse ponto.

É uma situação insuportável e há médicos que não aguentam ver um doente morrer porque tiveram medo de que isso se virasse contra eles. “Fiz o que estava escrito e o doente morreu. Matei o doente.” Há cada vez mais reanimadores que se confrontam com esta situação. Ainda por cima os cirurgiões atiram sempre as dificuldades que encontram nas operações para cima do reanimador. Sempre. Cada vez que acontece qualquer coisa, é porque o anestesista não adormeceu bem o doente, ou não o acordou correctamente, ou não soube restabelecer a pressão arterial. O cirurgião nunca admitirá que falhou nas suturas e que por isso o doente se esvaiu em sangue.

Os médicos sempre foram considerados uma classe muito solidária…
Foram. Já não são. Eu trabalhei anos nos hospitais, e adorava trabalhar lá, porque existia um espírito de equipa fantástico. Éramos felizes no nosso trabalho. Hoje, as pessoas não querem trabalhar nos hospitais, não querem fazer bancos, tentam safar-se. São todos contra todos. Bastaram uns anos para destruir a solidariedade no hospital. O que aconteceu é aterrador.

O que é importante perceber é que a destruição dos elos sociais no trabalho pelos gestores nos fragiliza a todos perante a doença mental. E é por isso que as pessoas se suicidam. Não quer dizer que o sofrimento seja maior do que no passado; são as nossas defesas que deixaram de funcionar.

Portanto, as ferramentas de gestão são na realidade ferramentas de repressão, de dominação pelo medo.
Sim, o termo exacto é dominação; são técnicas de dominação.

Então, é preciso acabar com essas práticas?
Eu não diria que é preciso acabar com tudo. Acho que não devemos renunciar à avaliação, incluindo a individual. Mas é preciso renunciar a certas técnicas.
(...)
Mas sobretudo, a avaliação não deve ser apenas individual. É extremamente importante começar a concentrar os esforços na avaliação do trabalho colectivo e nomeadamente da cooperação, do contributo de cada um. Mas como não sabemos analisar a cooperação, analisa-se somente o desempenho individual.
(...)

Temos de aprender a pensar o trabalho colectivo, de desenvolver métodos para o analisar, avaliar – para o cultivar. A riqueza do trabalho está aí, no trabalho colectivo como cooperação, como maneira de viver juntos. Se conseguirmos salvar isso no trabalho, ficamos com o melhor, aprendemos a respeitar os outros, a evitar a violência, aprendemos a falar, a defender o nosso ponto de vista e a ouvir o dos outros.
(...)
Qual é a diferença entre taylorismo e fordismo?
Taylor inventou a divisão das tarefas entre as pessoas e a interposição, entre cada tarefa, de uma intervenção da direcção, através de um capataz. Há constantemente alguém a vigiar e a exigir obediência ao trabalhador. A palavra-chave é obediência. “Quando eu disser para parar de trabalhar e ir comer qualquer coisa, você vai obedecer. Se concordar, será pago mais 50 cêntimos pela sua obediência.” A única coisa que importa é a obediência. O objectivo é acabar com o ócio, os tempos mortos.

Só muito mais tarde é que Ford introduziu uma nova técnica, a linha de montagem, que é uma aplicação do taylorismo. Na realidade, não é o progresso tecnológico que determina a transformação das relações sociais, mas a transformação das relações de dominação que abre o caminho a novas tecnologias.

O toyotismo [ou Sistema Toyota de Produção] utiliza um outro método de dominação, o ohnismo [inventado por Taiichi Ohno (1912-1990)], diferente do taylorismo. É um método particular que extrai a inteligência das pessoas de uma forma muito mais subtil que o taylorismo, que apenas estipula que há pessoas que têm de obedecer e outras que mandam.

No ohnismo, trata-se de fazer com que pessoas beneficiem a empresa oferecendo a sua inteligência e os conhecimentos adquiridos através da experiência. Para o fazer, nos anos 1980, introduziu-se algo de totalmente novo: os chamados “círculos de qualidade”.

O sistema japonês foi realmente uma novidade em relação ao taylorismo, porque ensinou as pessoas a colaborar sem as obrigar a obedecer – dando-lhes prémios, pelo contrário. Quando uma sugestão de uma pessoa dá lucro, a empresa faz o cálculo do dinheiro que a empresa ganhou com a ideia e reverte para o trabalhador uma parte desse lucro. Trata-se de prémios substanciais.

Mas há uma batota: os círculos de qualidade podiam durar horas, todos os dias, reunindo as pessoas a seguir ao trabalho para alimentar a caixinha das ideias. Todos se envolviam porque, por um lado, uma ideia que permitisse melhorar a produção valia-lhes chorudos prémios, mas também porque quem participava neles tinha um emprego vitalício garantido na empresa.

O sistema foi exportado para a Europa, os EUA, etc. porque durante uns tempos, a qualidade melhorou de facto. Mas a dada altura, as pessoas no Japão trabalhavam tanto que começou a haver mortes por karoshi [literalmente “morte por excesso de trabalho”].

O que é o karoshi?
É uma morte súbita, geralmente por hemorragia cerebral (AVC), de pessoas novas que não apresentam qualquer factor de risco cardiovascular. Não são obesos, não sofrem de hipertensão, não têm níveis de colesterol elevados, não são diabéticos, não fumam, não são alcoólicos, não tem uma história familiar de AVC. Nada. A único factor que é possível detectar é o excesso de trabalho. Estas pessoas trabalham mais de 70 horas por semana, sem contar as horas passadas nos círculos de qualidade. Ou seja, são pessoas que estão literalmente sempre a trabalhar. Mal param de trabalhar, vão dormir. As descrições de colegas que foram fazer inquéritos no Japão são aterrorizadoras.

O mundo do trabalho no Japão é alucinante. Há raparigas que entram nas fábricas de electrónica, por exemplo, e que são utilizadas entre os 18 e os 21 anos – porque aos 21 anos, já não conseguem aguentar as cadências de trabalho.

As famílias confiam-nas às empresas por esses três anos, durante os quais elas se entregam de corpo e alma ao trabalho. E nalguns casos, a empresa compromete-se a casar a rapariga no fim dos três anos. É mesmo um sistema totalitário. E mais: essas jovens trabalham 12 a 14 horas por dia e depois vão para uns dormitórios onde há uma série de gavetões – cada um com cama e um colchão –, deitam-se na cama e fecha-se o gavetão. Dormem assim, empilhadas em gavetões. Três anos… em gavetões… é preciso ver para crer.
(...)
Uma empresa que defendesse os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade conseguiria sobreviver no actual contexto de mercado?

Hoje, estou em condições de responder pela afirmativa, porque tenho trabalhado com algumas empresas assim. Ao contrário do que se pensa, certas empresas e alguns patrões não participam do cinismo geral e pensam que a empresa não é só uma máquina de produzir e de ganhar dinheiro, mas também que há qualquer coisa de nobre na produção, que não pode ser posta de lado.
(...)
E, entre os empresários, há pessoas assim – não muitas, mas há. Pessoas muito instruídas que respeitam esse aspecto nobre. E, na sequência das histórias de suicídios, alguns desses empresários vieram ter comigo porque queriam repensar a avaliação do desempenho. Comecei a trabalhar com eles e está a dar resultados positivos.

O que fizeram?
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas.

Neste caso, trata-se de uma pequena empresa privada que se preocupa com a qualidade da sua produção e não apenas por razões monetárias, mas por questões de bem-estar e convivialidade do consumidor final. O resultado é que pensar em termos de convivialidade faz melhorar a qualidade da produção e fará com que a empresa seja escolhida pelos clientes face a outras do mesmo ramo.

Para o conseguir, foi preciso que existisse cooperação dentro da empresa, sinergias entre as pessoas e que os pontos de vista contraditórios pudessem ser discutidos. E isso só é possível num ambiente de confiança mútua, de lealdade, onde ninguém tem medo de arriscar falar alto.

Se conseguirmos mostrar cientificamente, numa ou duas empresas com grande visibilidade, que este tipo de organização do trabalho funciona, teremos dado um grande passo em frente."

Caro leitor, ao ler este artigo até aqui, já deu um passo importante e com certeza ficou com vontade de fazer algo mais! Se 5% de nós acreditarmos que é possível, teremos a base intelectual suficiente para fazermos mudanças profundas na nossa sociedade com impactos positivos para nós e principalmente para as gerações mais novas!

Abraços saudáveis

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

"Encarar a doença com otimismo"


Ontem dia 4, comemorou-se o dia mundial contra o cancro e do que tenho "absorvido" sobre este tema, deixo aqui umas notas soltas sobre aquilo que considero importante cada um de nós ter consciência:

- é verdade que existe uma determinada % de pessoas (20% ???) que contrai esta doença por razões genéticas, mas a grande maioria de nós (80% ???) tem o "poder" de eliminar/reduzir essa probabilidade, ou seja cada um pode fazer a sua parte para ter uma vida mais saudável

- exercício físico (não sedentarismo), alimentação (mais) saudável, gestão natural do bom humor (anti stress), são alguns dos meios de prevenção mais eficazes para esta doença (e tantas outras)

- empresas, escolas, orgãos publicos, etc, são meios que podem de uma forma ímpar, contribuir para a divulgação e promoção da mudança de Estilos de Vida que reforcem o sistema imunitário de milhões de pessoas. Para além da questão da saúde em si, teriamos a poupança de milhões de euros ao longo dos anos.

- notícias "boas" para quem já tem ou venha a ter algum tipo de cancro:

a) o optmismo com que se encare esta realidade, com certeza terá um impacto importante na evolução da doença em si

b) mesmo nesta altura a adopção (mesmo que tardia) de um Estilo de Vida mais saudável continua a ser uma ferramenta fundamental para vencer essa luta (acompanhada da respectiva equipa médica)

c) em muitos locais, com certeza será acompanhado por uma equipa multidisciplinar que colocando o respectivo paciente no centro e no mesmo patamar que ela própria (equipa médica), dará uma confiança e maior "tranquilidade" ao paciente em si. Em outras palavras, tudo é hoje muito mais humanizado.

d) as probabilidades de cura para um grande tipo de cancros são cada vez mais elevadas e tanto mais elevadas quanto mais cedo descobrirmos que os temos (fundamental rastreio e exames de rotina em tempo útil !)

e) uma palavra de apreço (muito) especial para as equipas de voluntários(as) que são de um valor inestimável durante toda esta fase menos boa. Em muitos casos, os pacientes acabam por se tornar "melhores" pessoas e desfrutam a "2a parte" das suas vidas com muito mais prazer e intensidade

f) o cancro do colo do útero já pode ser curado (não sei se sempre?!)?deixando a mulher com com capacidade para engravidar (apesar de ainda existirem muitos médicos que desconhecem os novos tratamentos já disponíveis em Portugal desde 1998). Futuras mães, ouçam várias opiniões se ouvirem algo diferente do que aqui escrevi

g) frequentemente, o peito de uma mulher pós tratamento do cancro de mama, fica mais bonito, segundo a opinião dos médicos, das próprias pacientes e parceiros, o que aumenta muito a manutenção de uma elevada auto estima de quem passa por isto

h) existem esquemas de protecção financeira pessoal (familiar) que de uma forma bastante acessível, permitem nestes momentos, focarmos a nossa atenção na saúde sem termos que nos preocuparmos com o pagamento das contas.

Em jeito de resumo, os números de casos de cancro, a sua taxa de crescimento e o facto de cada vez mais atingirem pessoas mais novas são sinais claros que cada um de nós tem que fazer algo diferente para melhor, no que toca aos hábitos do seu dia a dia (o tal Estilo de Vida).

Mas dentro daqueles, cujo destino acabe por pertencer a esta estatística, tenham esperança (ou melhor ainda a certeza) que tudo vai acabar bem e vivam cada momento como parte de um aprendizado, com o apoio de todos os atrás mencionados e respectivas famílias e, com certeza, conseguirão no final do "processo" sentir que cresceram como seres humanos!

Parte do que escrevi hoje, foi inspirado no programa Sociedade Civil (mais uma vez a Fernanda Freitas a entrar-nos pelas nossas casas com temas interessantíssimos e trabalhados de uma forma positiva e didáctica!) intitulado "Encarar a doença com otimismo".

Relembro que já tenho escrito neste Blog, artigos sobre o exemplo digno de registro do médico francês David Servan-Schreiber (basta colocarem o nome dele no campo de pesquisa do meu Blog).

Abraços saudáveis (mais do que nunca!)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Venha de MBT em vez de carro para Lisboa e ainda poupa dinheiro!

Alguns dos meus leitores sabem que sou um apaixonado pelos "anti-sapatos MBT", relembrando que em Ago/09 escrevi:

"Quando você utiliza o MBT na cidade, é como se estivesse a caminhar de pés descalços na areia da praia"

E como cliente satisfeito hoje estive na TVI testemunhando o bem que me faz andar com eles (saúde com prazer), cerca de 15.000 passos/dia (11kms).

A certa altura o tema era o preço dos MBT, cerca de 200 euros, o que os tornaria relativamente caros, ao que eu respondi:

Se as pesssoas viessem de MBT em vez de carro para Lisboa, em muito pouco tempo os "anti-sapatos" estarão pagos (sem contar com o trinómio saúde/prazer/meio ambiente)!

Aqui fica uma sugestão para quem quiser dar o benefício da dúvida ao signatário!

Boas decisões, boas caminhadas, boas poupanças e boas aplicações destas!

Abraços saudáveis