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sexta-feira, 15 de maio de 2009

"(...) uma mutação que os inibia de efectuar a dança ritual prévia ao acto sexual para seduzir a galinha"

No livro "VIAGEM À FELICIDADE - as novas chaves científicas" de Eduardo Punset, encontrei (mais) uma forma diferente de explicar que aquilo que comemos hoje está muito longe daquilo que comíamos no tempo dos nossos avós:

"(...)fruto dos excessos da industrialização da produção avícola nos Estados Unidos. Na sua condição de consultora, Temple foi requerida em várias quintas onde os galos, inexplicavelmente, despedaçavam as galinhas no decorrer do acasalamento. Precisou de poucos dias para descobrir a chave do facto. A manipulação genética orientada para a produção de galos cada vez maiores e musculosos provocara, nalguns deles, uma mutação que os inibia de efectuar a dança ritual prévia ao acto sexual para seduzir a galinha. Ora bem, a genética própria da galinha impõe-lhe que não adopte uma postura de entrega e submissão ao sedutor sem o aviso prévio da dança ritual. O trágico resultado do desencontro consistia em converter a submissa galinha numa rebelde que preferia a morte a claudicar, e o belo galã um assassino.(...)"

Como consumidores finais temos que, cada vez mais, saber escolher e tão ou mais importante, não tolerar que práticas não saudáveis (para ser simpático!) sejam premiadas com as nossas compras no supermercado.

Abraços saudáveis,

sábado, 25 de outubro de 2008

50% da NOSSA saúde, depende do NOSSO Estilo de Vida!

Respondi hoje, num fórum sobre "Cuidados Paliativos", sobre a ideia do câncer ser uma doença de origem genética:

O teu comentário é extremamente importante para esclarecer o seguinte:

- o grande perigo das doenças (epidemias!) atuais é que TAMBÉM PODEM ser genéticas e por isso as pessoas acreditam (sinceramente!) que não vale a pena mudar o atual Estilo de Vida, porque se tiver que acontecer, a "CULPA" não é delas!

ERRADO!!!! e coloco em letras grandes para ALERTAR que não é assim e passo a explicar:

a) existem vários números, mas basicamente acredita-se que a saúde das pessoas depende de:

a.1) 10% acesso aos "sistema"
a.2) 20% ambiente (que por sua vez é influenciado pelo Estilo de vida de TODOS)
a.3) 20% genética
a.4) 50% Qualidade de Vida (ou Estilo de Vida)

b) por outro lado, já existem estudos suficientes para validar que o nosso Estilo de Vida, também altera a genética de cada um, ou seja, o que NÓS FAZEMOS hoje, pode alterar alguns dos nossos genes e com certeza vai influenciar os dos filhos, ......

Ou seja, o nível de saúde que temos HOJE, que vamos ter AMANHÃ (especialmente na fase final da nossa vida) e a dos NOSSOS FILHOS, depende de:

- CADA UM DE NÓS
- da EMPRESA onde trabalhamos (é um canal excelente para promovermos saúde e fica aqui uma forte sugestão para os RHs - e donos/responsáveis do "$$$", porque estamos a falar de importantes REDUÇÕES DE CUSTOS, AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, etc
- do GOVERNO que pode criar uma VERDADEIRA política de SAÚDE e não colocar (quase) todas as fichas na gestão da doença

E por isso, temos que deixar de acreditar que a nossa saúde depende de terceiros e os números estão aí, incluindo os que validam o SOFRIMENTO de quem necessita de cuidados paliativos.

Se o que disse fizer sentido para vocês, o que falta a cada um para mudar?

- o primeiro susto grande que venham a ter?
- assistirem um filho vosso a sofrer por uma doença que poderia ter sido evitada?

Relembro que pela primeira vez corremos o risco de em uma ou duas gerações, os filhos virem a morrer primeiro que os pais!

Abraços saudáveis

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Hospital do Futuro? É a Escola

Tive o privilégio de assistir a 3 palestras dadas pelo professor Tomio Kikuci (82 anos com muita saúde), que tem um CV verdadeiramente brilhante (veja aqui a bibliografia dele) e no meio de tudo o que falou, uma frase me chamou muito a atenção:

“Medicina do Futuro é PREVENTIVA - Hospital do Futuro é a ESCOLA - Médicos têm que virar PROFESSORES”

O sistema atual da medicina ocidental não está conseguindo manter a população saudável (pelo contrário, todos sabemos que os números de câncer, diabetes, obesos, hipertensos, etc são alarmantes) e só mudaremos a atual tendência da população , com (re)educação.

Disse o professor Tomio Kikuci neste final de semana:

- muito mais do que questões genéticas é o nosso Estilo de Vida que está acabando com a nossa saúde (e Qualidade de Vida).

- medicina atual é desintegradora. Não existe um problema de um órgão específico do nosso organismo, desligado dos outros.

- problema não é a doença mas o doente.

E pesquisando na internet, encontrei as seguintes respostas que o professor Tomio Kikuci deu à revista Brasília EM DIA, (clique aqui para ler todo o artigo):

- O homem, em meio à auto-destruição, por falta de auto-educação vitalícia, que diminui a sensibilidade instintiva, deixa de ser dono do seu próprio destino. Estamos diante de uma geração sem destino, destino roubado. Destino é estilo. Estilo é destino. Quanto mais se distancia da natureza, mais frágil fica, porque o que fortalece é a sensibilidade do instinto, como ocorre com os animais, adequados à natureza . Sem essa auto-educação natural, o homem corre o risco de cometer erros fatais. Não há erro fatal se é satisfatória a relação homem-natureza, em que um se expressa no outro, vitaliciamente, instintivamente. O homem, em sua alienação, se percebe como algo que se desenvolve fora da relação com a natureza. O interno rende-se ao externo. A realidade não é o externo é o interno. Fortalecer o interno é o básico. O externo é complemento. Por não seguir essa ordem natural, o homem moderno perde vitalidade natural, tornando-se, crescentemente, artificial, fragilizado.

- Perder o controle do destino significa o quê?

- Sem controlar seu destino, como pode controlar os outros? O reino da mentira, amplia-se no compasso da fragilização dessa relação. O caráter humano torna-se fraco e susceptível ao poder do dinheiro, ao qual se rende como se sua conquista fosse a conquista de si. Engano total. O dinheiro é externo, não interno. Nesse ambiente, em que a externalidade domina a internalidade intrínseca humana, o homem, apenas, se candidata a ser o anti-ser humano. Descaracterizado, fragilizado, perdido, sem foco, presa fácil da corrupção, do medo, da mentira. Perde o controle de si...

- É o fim de tudo?

- Inexoravelmente, não. Não há absolutismo. Absolutismo é engessamento, é morte, é paz eterna. Todos dizem “tudo bem? tudo bem!”. Tudo bem coisa nenhuma, tudo não está bem, “muito bem”, sim, é um cumprimento adequado, “tudo bem” é ilusão. A cabeça tem que ser suficientemente dura, porque somos diamantes brutos que precisam ser lapidados. Cabeça mole não agüenta lapidação. A humanidade bate cabeça porque precisa errar para acertar. O problema é que se está tendo medo de errar. Não é possível acertar sem errar. Mas o erro tem que ser corrigido,de uma forma vitalícia, razoável, permanente, e de forma duvidosa. Temos que ser surfistas nas ondas da dúvida, do acerto e do erro. O importante não é não errar, é corrigir o erro. A educação vitalícia proporciona a capacidade de errar corrigindo, simultaneamente, o que evita erros fatais. A capacidade de errar corrigindo assegura auto-educação. Treinar e corrigir. Não se trata de educação formal, mas funcional, impregnada de prática. A educação atual é desfocada da realidade, não permite que as pessoas se vejam como sujeito, mas refratária aos acontecimentos, como se os acontecimentos fossem o sujeito e não o objeto. Fragiliza o caráter. O homem auto-consciente escreve sua própria realidade quando controla o seu destino. A educação formal não é capaz dessa proeza.”

- Como é construir, na prática, esse destino?

- Primeiramente, a auto-educação vitalícia requer a alimentação vitalícia, que exige componentes básicos e complementares. Interno e externo. A alimentação básica deve ser os grãos, sementes e folhas e a complementar o resto, de acordo com as condições geográficas em que vivem as pessoas, tudo de maneira satisfatória, racional. Comer dá início ao engenho orgânico humano que produz salivação produtora de sucos gástricos necessários, junto com a mastigação satisfatória, para eliminar as toxidades e preparar o sangue alcalino, que fortalecerá o coração. O coração é a máquina mais poderosa que se auto-alimenta, dialeticamente, por ser um organismo e não uma peça mecânica. Peça mecânica desgasta, o coração, peça orgânica, interativa com todos os demais órgãos, quanto mais funciona, mais se fortalece, desde que bombeado por combustível sanguíneo suficientemente alcalino, sem maiores toxidades.

Para não me alongar neste “post”, retornarei em breve repassando alguns dos nobres ensinamentos ensinados pelos Prof. Tomio Kikuchi.

Abraços saudáveis

domingo, 24 de agosto de 2008

A genética não explica tudo!

Recebi um artigo excelente de uma amiga minha de Espanha, publicado no passado mês de julho no ELPAIS.COM, de autoria da Ângela Boto (para lê-lo na íntegra em espanhol, clique aqui), que corrobora muito do que já tenho publicado e trocado idéias com vários dos meus leitores, sobre a importância que devemos dar ao nosso estilo de vida atual.

Tópicos principais que retirei da sua leitura:

"O que fazemos com eles (genes), a forma como vivemos, comemos e pensamos, também influencia naquilo que somos. Estudos recentes demonstram que podemos mudar o nosso genoma, mudança essa que passará para os nossos descendentes."

"(...) Cada vez mais está claro que o que conta não é o DNA e a sua configuração, mas sim o que o rodeia. Na realidade, não somos o que temos escrito nos nossos genes, mas sim o que fazemos com eles. Cada um de nós pode modificar o seu próprio genoma e o que é mais importante (impactante!), é que as alterações que fizermos nele, passarão para os nossos filhos e netos." Esta afirmação faz com que deixe de fazer sentido, comentários que ouço de quem tem hábitos menos saudáveis, tais como "prefiro morrer mais cedo mas "curtir" a vida." Será que os filhos, netos, ... também concordarão com essa postura?

“Os genes não são o destino! As influências do meio ambiente, entre as quais se incluem a nutrição, o stress e questões de ordem emocional, podem modificar esses genes sem alterar a sua configuração básica” (Bruce Lipton, biólogo molecular americano). [numa experiência feitas com ratos geneticamente idênticos ], para além de terem conseguido mudar a cor deles, um deles desenvolverá obesidade mórbida, diabetes e muito provavelmente morrerá de câncer, enquanto que o outro tem todas as condições para ter uma vida tranqüila.”

“Num teste com ratos em que usaram substâncias usadas no nosso dia a dia, apesar das cautelas em se extrapolar resultados para os seres humanos, admite-se cada vez mais, haver evidências que apontem nessa direção. Todos os ratos que foram expostos a um agente químico (o BPA) que forma parte do plástico se encontra em todas as casas (recipientes, biberons, etc), (...) com pré-disposição para as doenças atrás mencionadas.”

Na segunda parte do estudo, nasceram os ratos da mesma mãe e com a mesma carga genética. Durante a gestação o roedor amarelo, a mãe recebeu o BPA e uma dieta normal. No caso do rato marron, a progenitora, também recebeu o composto de plástico, mas seguiu uma dieta especial enriquecida com ácido fólico e genesteína , um folato presente na soja.

Caros leitores se atentem bem às conclusões dos três próximos parágrafos:

O resultado exterior é visível, mas vamos analisar o interior das células, para ver o que provocou essa diferença entre irmãos geneticamente idênticos. O que se passou é tão simples como o mecanismo de um interruptor de luz. Neste caso, a “bomba” seria um gene associado à obesidade, diabetes e câncer. O interruptor ligado, o BPA; o interruptor desligado, a dieta. Quer dizer, que mesmo o componente de plástico tendo um efeito tóxico que “acenda” o gene patológico, com a dieta conseguiu-se eliminá-lo (mantê-lo apagado). Tudo se produz através de marcas químicas que quando estão presentes na estrutura, o desativam.

No que respeita ao ser humano, (...) pacientes com cânceres de próstata, conseguiram apagar duas famílias de genes que favoreciam a doença, com três meses de um estilo de vida diferente – uma dieta com poucas gorduras, com alimentos não processados e verduras, praticaram técnicas de controlo anti-stress, exercício físico bem como trabalhando a mente em grupos de apoio psicossociais – sabe-se que o stress psicológico ativa e desativa os genes.

“Temos que lutar conta os determinismo genético. O genoma nos dá uma tendência daquilo que podemos vir a ser, mas é como vivemos que faz com que sejamos de uma determina forma” (Manel Esteller, diretor de epigenética do Centro Nacional de Investigações Oncológicas de Madrid e do Instituto Catalão de Oncologia de Barcelona. (...) Esta disciplina, com pouco mais de uma década de existência, é uma autêntica revolução da biologia; (...).

A influência da epigenética, vai muito além do câncer. Também condiciona o processo de envelhecimento, a saúde emocional e mental, a doença de Alzheimer, (...) até transtornos cardiovasculares. Mas o mais importante a reter é que mudanças epigenéticas transmitem-se Às gerações futuras (vamos pensar mais nos nossos filhos, netos,.....)

Alguns estudos com populações (seres humanos), validaram que o tipo de alimentação dos avós, aumenta o risco dos netos desenvolverem diabetes ou doenças cardiovasculares. Por isso, não somos só o que comemos, mas também o que comeram e respiraram as nossas gerações anteriores. (...) todos somos guardiões do nosso genoma”.

O artigo ainda tem outras conclusões interessante relacionadas com o nosso cérebro, mas deixá-las-ei para um outro artigo.

Abraços saudáveis