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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Entrevista a Christophe de Dejours "Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal" - talvez o melhor artigo publicado no meu Blog!


No Blog Outro Portugal do Paulo Borges (vale a pena visitar) podemos ler na íntegra (clique aqui ) aquela que considero a melhor entrevista dos últimos tempos por parte do jornal Público, cujo tema, se colocado no patamar que merece e trabalhado por accionistas, executivos, governos, políticos e cada um de nós, poderá dar a origem a uma mudança de paradigma relativamente aos actuais modelos de gestão utilizados na maior parte dos países com resultados crescentes e sustentados.

Como a entrevista é grande, deixo aqui alguns trechos para que cada leitor possa validar que estamos a falar de um artigo de leitura obrigatória. Que cada um tenha coragem para o ler até até ao fim, incorporar o seu conteúdo, para o divulgar e promover e principalmente para o aplicar à sua própria realidade.

O mundo precisa de fazer as mudanças nele enunciadas!

"Nos últimos anos, três ferramentas de gestão estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos: a avaliação individual do desempenho, a exigência de “qualidade total” e o outsourcing. O fenómeno gerou doenças mentais ligadas ao trabalho. Christophe Dejours, especialista na matéria, desmonta a espiral de solidão e de desespero que pode levar ao suicídio.

Psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, Christophe Dejours dirige ali o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental. Esteve há dias em Lisboa, onde, (...) falou do sofrimento no trabalho. Não apenas do sofrimento enquanto gerador de patologias mentais ou de esgotamentos, mas sobretudo enquanto base para a realização pessoal.
(...)
O suicídio ligado ao trabalho é um fenómeno novo?
O que é muito novo é a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho. Apareceu em França há apenas 12, 13 anos.
(...)
O que é que mudou nas empresas?
A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário.

A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.”

Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe…

Mas o assédio no trabalho é novo?
Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco. Aí é que se torna difícil sair do poço, sobretudo para os que gostam do seu trabalho, para os mais envolvidos profissionalmente. Muitas vezes, a empresa pediu-lhes sacrifícios importantes, em termos de sobrecarga de trabalho, de ritmo de trabalho, de objectivos a atingir. E até lhes pode ter pedido (o que é algo de relativamente novo) para fazerem coisas que vão contra a sua ética de trabalho, que moralmente desaprovam.

Qual é o perfil das pessoas que são alvo de assédio?
São justamente pessoas que acreditam no seu trabalho, que estão envolvidas e que, quando começam a ser censuradas de forma injusta, são muito vulneráveis. Por outro lado, são frequentemente pessoas muito honestas e algo ingénuas. Portanto, quando lhes pedem coisas que vão contra as regras da profissão, contra a lei e os regulamentos, contra o código do trabalho, recusam-se a fazê-las. Por exemplo, recusam-se a assinar um balanço contabilista manipulado. E em vez de ficarem caladas, dizem-no bem alto. Os colegas não dizem nada, já perceberam há muito tempo como as coisas funcionam na empresa, já há muito que desviaram o olhar. Toda a gente é cúmplice. Mas o tipo empenhado, honesto e algo ingénuo continua a falar. Não devia ter insistido. E como falou à frente de todos, torna-se um alvo. O chefe vai mostrar a todos quão impensável é dizer abertamente coisas que não devem aparecer nos relatórios de actividade.

Um único caso de assédio tem um efeito extremamente potente sobre toda a comunidade de uma empresa. Uma mulher está a ser assediada e vai ser destruída, uma situação de uma total injustiça; ninguém se mexe, mas todos ficam ainda com mais medo do que antes. O medo instala-se. Com um único assédio, consegue-se dominar o colectivo de trabalho todo. Por isso, é importante, ao contrário do que se diz, que o assédio seja bem visível para todos. Há técnicas que são ensinadas, que fazem parte da formação em matéria de assédio, com psicólogos a fazer essa formação.

Uma formação para o assédio?
Exactamente. Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato.
(...)
O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio.
(...)
Voltando ao perfil do assediado, é perigoso acreditar realmente no seu trabalho?
É. O que vemos é que, hoje em dia, envolver-se demasiado no seu trabalho representa um verdadeiro perigo. Mas, ao mesmo tempo, não pode haver inteligência no trabalho sem envolvimento pessoal – sem um envolvimento total.
(...)
Falou de “qualidade total”. O que é exactamente?
É uma segunda medida que foi introduzida na sequência da avaliação individual. Acontece que, quando se faz a avaliação individual do desempenho, está-se a querer avaliar algo, o trabalho, que não é possível avaliar de forma quantitativa, objectiva, através de medições. Portanto, o que está a ser medido na avaliação não é o trabalho. No melhor dos casos, está-se a medir o resultado do trabalho. Mas isso não é a mesma coisa. Não existe uma relação de proporcionalidade entre o trabalho e o resultado do trabalho.
(...)
Para além de que declarar a qualidade total é catastrófico, justamente porque a qualidade total é um ideal. É importante ter o ideal da qualidade total, ter o ideal do “zero-defeitos”, do “zero-acidentes”, mas apenas como ideal.

Em diabetologia, por exemplo, os gestores introduziram a obrigação de os médicos fazerem, para cada um dos seus doentes, ao longo de três meses, a média dos níveis de hemoglobina glicosilada A1c [ri-se], que é um indicador da concentração de açúcar no sangue. A seguir, comparam entre si os grupos de doentes de cada médico – é assim que controlam a qualidade dos cuidados médicos. [ri-se].

Só que, na realidade, quando tratamos um doente, às vezes o tratamento não funciona e temos de perceber porquê. E finalmente, o doente acaba por nos confessar que não consegue respeitar o regime alimentar que lhe prescrevemos, porque inclui legumes e não féculas e que os legumes são mais caros... Tem três filhos e não tem dinheiro para legumes. E então, vamos ter de encontrar um compromisso.

Da mesma forma, se um doente diabético é engenheiro e tem de viajar frequentemente para outros fusos horários, torna-se muito difícil controlar a sua glicemia com insulina. Mais uma vez, vai ser preciso encontrar um meio-termo. E isso é difícil.

Mesmo uma central nuclear nunca funciona como previsto. Nunca. Por isso é que precisamos de “trabalho vivo”. A qualidade total é um contra-senso porque a realidade se encarrega de fazer com que as coisas não funcionem de forma ideal. Mas o gestor não quer ouvir falar disso.

Ora, quando o ideal se transforma na condição para obter uma certificação, o que acontece é que se está a obrigar toda a gente a dissimular o que realmente se passa no trabalho. Deixa de ser possível falar do que não funciona, das dificuldades encontradas. Quando há um incidente numa central nuclear, o melhor é não dizer nada.

Isso é extremamente grave.
É. E em medicina passa-se a mesma coisa. Faz-se batota. Hoje, existem nos hospitais as chamadas “conferências de consenso” – acho que existem em toda a Europa – onde são feitas recomendações precisas para o tratamento de tal ou tal doença. E quando um médico recebe um doente, tem de teclar no computador para ver o que foi estabelecido pela conferência de consenso. O médico, que tem o doente à sua frente, pensa que essa não é a boa abordagem – porque sabe que o doente tem problemas com a mulher, com os filhos e não vai conseguir fazer o tratamento recomendado. Mas sabe também que se não fizer o que está lá escrito, e se por acaso as coisas derem para o torto, poderá haver um inquérito, a pedido da família ou de um gestor, e vão dizer que foi o médico que não fez o que devia. O problema da qualidade total é que obriga muitos de nós a viver essa experiência atroz que consiste em fazer o nosso trabalho de uma forma que nos envergonha.

Há muitos suicídios entre os médicos?
Cada vez mais. Há especialidades com mais suicídios do que outras – nomeadamente entre os médicos reanimadores. Em França é uma verdadeira hecatombe: é sabido que a profissão de anestesista-reanimador é das que têm maior taxa de suicídios. Nesta especialidade, os riscos de ser-se atacado em tribunal porque alguém morreu são tão elevados que os médicos se protegem seguindo as instruções. Mesmo que tenham a íntima convicção de que não era isso que deveriam fazer. Chegámos a esse ponto.

É uma situação insuportável e há médicos que não aguentam ver um doente morrer porque tiveram medo de que isso se virasse contra eles. “Fiz o que estava escrito e o doente morreu. Matei o doente.” Há cada vez mais reanimadores que se confrontam com esta situação. Ainda por cima os cirurgiões atiram sempre as dificuldades que encontram nas operações para cima do reanimador. Sempre. Cada vez que acontece qualquer coisa, é porque o anestesista não adormeceu bem o doente, ou não o acordou correctamente, ou não soube restabelecer a pressão arterial. O cirurgião nunca admitirá que falhou nas suturas e que por isso o doente se esvaiu em sangue.

Os médicos sempre foram considerados uma classe muito solidária…
Foram. Já não são. Eu trabalhei anos nos hospitais, e adorava trabalhar lá, porque existia um espírito de equipa fantástico. Éramos felizes no nosso trabalho. Hoje, as pessoas não querem trabalhar nos hospitais, não querem fazer bancos, tentam safar-se. São todos contra todos. Bastaram uns anos para destruir a solidariedade no hospital. O que aconteceu é aterrador.

O que é importante perceber é que a destruição dos elos sociais no trabalho pelos gestores nos fragiliza a todos perante a doença mental. E é por isso que as pessoas se suicidam. Não quer dizer que o sofrimento seja maior do que no passado; são as nossas defesas que deixaram de funcionar.

Portanto, as ferramentas de gestão são na realidade ferramentas de repressão, de dominação pelo medo.
Sim, o termo exacto é dominação; são técnicas de dominação.

Então, é preciso acabar com essas práticas?
Eu não diria que é preciso acabar com tudo. Acho que não devemos renunciar à avaliação, incluindo a individual. Mas é preciso renunciar a certas técnicas.
(...)
Mas sobretudo, a avaliação não deve ser apenas individual. É extremamente importante começar a concentrar os esforços na avaliação do trabalho colectivo e nomeadamente da cooperação, do contributo de cada um. Mas como não sabemos analisar a cooperação, analisa-se somente o desempenho individual.
(...)

Temos de aprender a pensar o trabalho colectivo, de desenvolver métodos para o analisar, avaliar – para o cultivar. A riqueza do trabalho está aí, no trabalho colectivo como cooperação, como maneira de viver juntos. Se conseguirmos salvar isso no trabalho, ficamos com o melhor, aprendemos a respeitar os outros, a evitar a violência, aprendemos a falar, a defender o nosso ponto de vista e a ouvir o dos outros.
(...)
Qual é a diferença entre taylorismo e fordismo?
Taylor inventou a divisão das tarefas entre as pessoas e a interposição, entre cada tarefa, de uma intervenção da direcção, através de um capataz. Há constantemente alguém a vigiar e a exigir obediência ao trabalhador. A palavra-chave é obediência. “Quando eu disser para parar de trabalhar e ir comer qualquer coisa, você vai obedecer. Se concordar, será pago mais 50 cêntimos pela sua obediência.” A única coisa que importa é a obediência. O objectivo é acabar com o ócio, os tempos mortos.

Só muito mais tarde é que Ford introduziu uma nova técnica, a linha de montagem, que é uma aplicação do taylorismo. Na realidade, não é o progresso tecnológico que determina a transformação das relações sociais, mas a transformação das relações de dominação que abre o caminho a novas tecnologias.

O toyotismo [ou Sistema Toyota de Produção] utiliza um outro método de dominação, o ohnismo [inventado por Taiichi Ohno (1912-1990)], diferente do taylorismo. É um método particular que extrai a inteligência das pessoas de uma forma muito mais subtil que o taylorismo, que apenas estipula que há pessoas que têm de obedecer e outras que mandam.

No ohnismo, trata-se de fazer com que pessoas beneficiem a empresa oferecendo a sua inteligência e os conhecimentos adquiridos através da experiência. Para o fazer, nos anos 1980, introduziu-se algo de totalmente novo: os chamados “círculos de qualidade”.

O sistema japonês foi realmente uma novidade em relação ao taylorismo, porque ensinou as pessoas a colaborar sem as obrigar a obedecer – dando-lhes prémios, pelo contrário. Quando uma sugestão de uma pessoa dá lucro, a empresa faz o cálculo do dinheiro que a empresa ganhou com a ideia e reverte para o trabalhador uma parte desse lucro. Trata-se de prémios substanciais.

Mas há uma batota: os círculos de qualidade podiam durar horas, todos os dias, reunindo as pessoas a seguir ao trabalho para alimentar a caixinha das ideias. Todos se envolviam porque, por um lado, uma ideia que permitisse melhorar a produção valia-lhes chorudos prémios, mas também porque quem participava neles tinha um emprego vitalício garantido na empresa.

O sistema foi exportado para a Europa, os EUA, etc. porque durante uns tempos, a qualidade melhorou de facto. Mas a dada altura, as pessoas no Japão trabalhavam tanto que começou a haver mortes por karoshi [literalmente “morte por excesso de trabalho”].

O que é o karoshi?
É uma morte súbita, geralmente por hemorragia cerebral (AVC), de pessoas novas que não apresentam qualquer factor de risco cardiovascular. Não são obesos, não sofrem de hipertensão, não têm níveis de colesterol elevados, não são diabéticos, não fumam, não são alcoólicos, não tem uma história familiar de AVC. Nada. A único factor que é possível detectar é o excesso de trabalho. Estas pessoas trabalham mais de 70 horas por semana, sem contar as horas passadas nos círculos de qualidade. Ou seja, são pessoas que estão literalmente sempre a trabalhar. Mal param de trabalhar, vão dormir. As descrições de colegas que foram fazer inquéritos no Japão são aterrorizadoras.

O mundo do trabalho no Japão é alucinante. Há raparigas que entram nas fábricas de electrónica, por exemplo, e que são utilizadas entre os 18 e os 21 anos – porque aos 21 anos, já não conseguem aguentar as cadências de trabalho.

As famílias confiam-nas às empresas por esses três anos, durante os quais elas se entregam de corpo e alma ao trabalho. E nalguns casos, a empresa compromete-se a casar a rapariga no fim dos três anos. É mesmo um sistema totalitário. E mais: essas jovens trabalham 12 a 14 horas por dia e depois vão para uns dormitórios onde há uma série de gavetões – cada um com cama e um colchão –, deitam-se na cama e fecha-se o gavetão. Dormem assim, empilhadas em gavetões. Três anos… em gavetões… é preciso ver para crer.
(...)
Uma empresa que defendesse os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade conseguiria sobreviver no actual contexto de mercado?

Hoje, estou em condições de responder pela afirmativa, porque tenho trabalhado com algumas empresas assim. Ao contrário do que se pensa, certas empresas e alguns patrões não participam do cinismo geral e pensam que a empresa não é só uma máquina de produzir e de ganhar dinheiro, mas também que há qualquer coisa de nobre na produção, que não pode ser posta de lado.
(...)
E, entre os empresários, há pessoas assim – não muitas, mas há. Pessoas muito instruídas que respeitam esse aspecto nobre. E, na sequência das histórias de suicídios, alguns desses empresários vieram ter comigo porque queriam repensar a avaliação do desempenho. Comecei a trabalhar com eles e está a dar resultados positivos.

O que fizeram?
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas.

Neste caso, trata-se de uma pequena empresa privada que se preocupa com a qualidade da sua produção e não apenas por razões monetárias, mas por questões de bem-estar e convivialidade do consumidor final. O resultado é que pensar em termos de convivialidade faz melhorar a qualidade da produção e fará com que a empresa seja escolhida pelos clientes face a outras do mesmo ramo.

Para o conseguir, foi preciso que existisse cooperação dentro da empresa, sinergias entre as pessoas e que os pontos de vista contraditórios pudessem ser discutidos. E isso só é possível num ambiente de confiança mútua, de lealdade, onde ninguém tem medo de arriscar falar alto.

Se conseguirmos mostrar cientificamente, numa ou duas empresas com grande visibilidade, que este tipo de organização do trabalho funciona, teremos dado um grande passo em frente."

Caro leitor, ao ler este artigo até aqui, já deu um passo importante e com certeza ficou com vontade de fazer algo mais! Se 5% de nós acreditarmos que é possível, teremos a base intelectual suficiente para fazermos mudanças profundas na nossa sociedade com impactos positivos para nós e principalmente para as gerações mais novas!

Abraços saudáveis

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"Violência verbal é tão prejudicial quanto a física"


Nunca é demais escrever algo sobre a questão da violência verbal. Hoje socorri-me de um texto publicado no site UOL, do qual retirei os trechos abaixo (para ler o artigo na íntegra, clique aqui)

"O marido vive dizendo para quem quiser (ou não) escutar que sua mulher não sabe nada, não' é capaz e por aí em diante. Todos os dias o chefe ou outro profissional dispara adjetivos humilhantes a um colega de trabalho. “As pessoas estão acostumadas a associar a violência à sua forma física. Mas a violência psicológica, muitas vezes expressada verbalmente, pode ser ainda mais prejudicial”, afirma a consultora de etiqueta e comportamento Célia Leão, de São Paulo.

“Vivemos num contexto violento, seja no trânsito, nos relacionamentos, nos meios de comunicação e nas empresas”, diz Armando Rezende Neto, psicólogo voluntário do Ambulatório de Atendimento de Transtorno Obsessivo Compulsivo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). E, segundo ele, viver numa situação de violência verbal repetitiva pode levar ao estresse, do leve ao crônico, com repercussões na saúde. “Se a pessoa tem propensão à depressão e à ansiedade, pode desencadear esses transtornos e até crises de síndrome do pânico. Já atendi pessoas que lidam com o público em entidades públicas e desenvolveram esses problemas”, conta.

Casal

Nos relacionamentos entre casais, essa situação ganha tons mais intensos. “É pior, pois a violência vem de uma pessoa próxima e amada, que, muitas vezes, conhece e ataca os pontos fracos”, diz Rezende.

Para Célia, que já presenciou cenas de um casal em que o marido diminuía a esposa o tempo todo, a situação é causada por baixa autoestima de ambas as partes. “O agressor precisa diminuir a vítima para se sentir melhor. E a vítima aceita a agressão por não se dar valor”, diz.

(...)."

Considero que o a autora deste artigo, apenas pecou por colocar exemplos do homem como agressor e a mulher como vítima, quando todos sabemos que o inverso também acontece e tão pouco deve ser tolerado!

Que 2010 seja um ano onde a comunicação entre as partes flua melhor e o respeito, compreensão e tolerância imperem em qualquer tipo de relação profissional ou pessoal. A Qualidade de Vida dos envolvidos agradece!

Abraços saudáveis

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"(...) se denunciassem esses organismos pelas más práticas "significava graves riscos para as suas carreiras profissionais" (...)"


Li esta semana a seguinte notícia no jornal Global:

""Aquaplaning"

Engenheiros não incomodam concessionárias

Observatório das Estradas denuncia tendência de culpar os condutores e não as auto-estradas

Os engenheiros não abordam os defeitos nas autoestradas nos casos de acidentes para não incomodarem as concessionárias ou o poder político (...).

"Num dos casos que tive conhecimento e que correu no tribunal, em que o queixoso apresentou um relatório onde justificava tecnicamente que foi vitima de hidroplanagem por defeito da estrada, a concessionária da A8 defendeu-se com um relatório do LNEC, que camuflou os defeitos da estrada, e com um relatório de um engenheiro mecânico que concluía não haver condições para hidroplanagem", exemplificou [Francisco Salpico]. "Neste tipo de relatórios, a abordagem é sempre feita de modo muito cómodo, sem incomodar as concessionárias e muito menos o poder político, na óptica da responsabilidade do condutor ou da responsabilidade entre condutores, nunca abordando os defeitos das estradas, acrescentou.

Para o autor do estudo, como os especialistas nesta matéria "são engenheiros civis que trabalham para estes organismos", se denunciassem esses organismos pelas más práticas "significava graves riscos para as suas carreiras profissionais"
(...)"

Se de uma forma geral, as pessoas tivessem mais coragem para dizerem algumas verdades, todos ganharíamos em Qualidade de Vida!

Neste caso são prejudicados:

a) aqueles que estiveram/vierem a estar envolvidos em acidentes por causa das más condições de parte do piso de algumas autoestradas

b) os familiares, as empresas onde trabalhem(trabalhavam), amigos, etc dos mencionados na alínea anterior

c) os próprios engenheiros que escondem ou camuflam a verdade (acredito eu que alguns se sintam mal consigo próprios, ao se sentirem co-responsáveis pelos número de mortos e ou feridos, para além dos danos materiais e até morais ocasionados) e indirectamente as respectivas famílias

d) o país, com todos os custos originados por este tipo de acidentes (financeiros, imagem, turismo,...)


Senhores "especialistas" em avaliar as verdadeiras causas dos acidentes nas estradas portuguesas:

Pensem bem nas consequências de omitirem dados relevantes para a apuração das verdadeiras causas de acidentes nas autoestradas portuguesas e coloquem os interesses da população no topo das vossas prioridades, por que assim, conseguem evitar a morte/ferimentos em pessoas (bébés, crianças, adultos) inocentes e naturalmente melhorarão a Qualidade de Vida de muita gente, incluindo a vossa!

Coragem nas vossas decisões e atitudes!

Como já depreenderam os meus leitores, aquilo que publico aqui sobre graves omissões/mentiras à cerca das condições do piso de partes de algumas das nossas autoestradas, aplica-se a muitas outras áreas e como cidadãos, temos que agir no sentido de não permitirmos que o tipo de comportamento aqui discutido, permeie para outros profissionais dos mais variados sectores de actividade.

Cada um tem que fazer a sua parte!

Abraços saudáveis

domingo, 18 de outubro de 2009

Os médicos e a vacina da gripe A contra o vírus H1N1

Muitos dos meus leitores sabem o que penso sobre a campanha que tem sido feita para que milhões de pessoas tomem a vacina contra o vírus A/H1N1 (nem eu nem nenhum membro da minha família vai tomá-la!). No entanto não é sobre a minha opinião que quero escrever hoje, mas as razões, segundo Luís Távora Tavira,Professor de Microbiologia na Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Nova de Lisboa e Director do Centro de Malária e Doenças Tropicais do Instituto de Medicina Tropical que, acredita ele (palavras proferidas no programa Sociedade Civil da Rtp 2), levam muitos médicos a não tomar a referida vacina:

-"(...) dizer uma coisa, se calhar um bocado escandalosa, por que nós temos, apesar de tudo, alguma obrigação também de transmitir às pessoas, a idéia correcta sobre as coisas. Eu não me admiraria se numa população adulta, inclusivamente de médicos, grande parte ou uma fatia um bocadinho maior do que a nós pensavamos, dissesse - eu entendo que não quero ser vacinado nesta altura- Eu admito isto porquê?

Por que se trata de um extracto populacional que:
1o - acredito que tenha um conhecimento um bocadinho maior sobre a gripe pandémica
2o - que assume e percebe que é uma gripe com taxas de morbilidade e mortalidade idênticas ou inferiores, não sabemos ainda bem, as séries são ainda pequenas apesar de tudo, à da gripe sazonal, (...) quase por analogia, a pessoa vai tender a dizer - então por que é que hei-de fazer a da gripe A?

- a seguir pode não fazer o raciocínio seguinte que é fazer o tal raciocínio comunitário e dizer - eu estou na linha da frente e necessito de me vacinar por razões de solidariedade comunitária - nem sempre conseguimos fazer esse tipo de raciocínio! Mas eu não me admiraria de qualquer modo que houvesse um resultado nesse sentido. (...)"

Reparem bem os meus leitores:

- agora já com uma intensidade menor, mas até há poucas semanas atrás, via canais de comunicação (que por mero interesse de taxas de audiência alimentam estas campanhas massivas de desinformação!) entravam-nos pela casa adentro via televisão, nas primeiras páginas dos jornais, etc, dizendo que estavamos perante uma pandemia incontrolável e ......

- mas os próprios médicos, numa grande porcentagem, por terem um grau de conhecimento maior, não querem tomar a vacina!

Existem outras vertentes sobre esta matéria que poderiam ser apresentadas neste artigo, mas por agora e para aqueles que ainda não sabem o que fazer consigo e com os seus filhos, apenas sugiro que incluam mais este input no vosso processo de decisão.

Boas decisões e...

Abraços saudáveis

domingo, 6 de setembro de 2009

"O cultivo da coragem"


Mais um excelente artigo (clique aqui para lê-lo na íntegra) publicado pela jornalista Cristiane Segatto, digno de ser partilhado com os meus leitores.
Aqui ficam alguns trechos elucidativos do seu conteúdo:

"Sinto uma enorme atração por um certo cientista. Ele tem 85 anos, (...) seu nome é Paulo Vanzolini.
(...)
Na carreira paralela, Vanzolini é autor de músicas muito conhecidas. As principais são “Ronda” e “Volta por cima”. Adoro a mensagem inspiradora que esse samba nos oferece:

“...Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima”
(...)
Estava no cinema um dia desses e vi um trailer do filme. O que me cativou foi o julgamento que o sambista faz sobre “Volta por cima”, sua música mais famosa.

“Ela tem um fracasso”, diz Vanzolini. “Ninguém entendeu que o importante não é dar a volta por cima. É reconhecer a queda”.

Fui para casa com Vanzolini na cabeça. Como é importante reconhecer a queda! E como é impressionante perceber que pouca gente consegue fazer isso.

Das pessoas que você conhece, quantas são capazes de dizer “Errei”? Quantas assumem isso publicamente? Quantas reconhecem o fracasso? A decadência. A queda.

Reconhecer a queda é o primeiro passo para se recuperar. Para aprender com os erros e seguir em frente. Conversei sobre isso nesta semana com o psicólogo Julio Peres. Ele fez pós-doutorado no Centro de Espiritualidade e Mente da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Está lançando o livro Trauma e Superação: O que a psicologia, a neurociência e a espiritualidade ensinam.

Um dos capítulos do livro se chama Dar a Volta por Cima. É um sinal de que a expressão eternizada por Vanzolini está grudada nos nossos corações e mentes. Virou patrimônio nacional.

Resiliência é um outro termo que expressa essa capacidade de recuperação. Vem da Física e se refere à capacidade que um corpo tem de sofrer uma deformação pela ação de um agente externo. E depois voltar à forma natural.

Quando damos um soco com toda força num travesseiro, depois de um tempo ele retorna à forma original sem sofrer grandes estragos. Algumas pessoas têm mais resiliência emocional. São as que reconhecem a queda e dão a volta por cima. Mas a resiliência é uma qualidade que pode ser aprendida.

Segundo Peres, há alguns fatores que favorecem essa capacidade. São mais resilientes as pessoas que:

· acreditam em si mesmas e na capacidade de influenciar as pessoas com quem convive

· conseguem tirar lições de eventos positivos e também dos negativos. “São pessoas que constroem um aliança de aprendizado com a adversidade”, diz Peres

· são cooperativas. Não estão focadas apenas no próprio bem-estar, mas nos benefícios que podem trazer aos que estão por perto

· têm espiritualidade. Não se sentem sozinhas

Como assim? Isso quer dizer que os ateus não podem ser resilientes? Não é bem isso. “O sujeito pode ser ateu e, mesmo assim, não se sentir desamparado”, diz Peres. “Quem se sente amparado supera os traumas mais facilmente”, diz.

Quando sofrem um trauma, as pessoas se sentem covardes em relação ao evento que o produziu. Quem sofre um grave acidente de trânsito, resiste a entrar em um carro novamente. Quem é traído pelo melhor amigo resiste a criar laços duradouros. “Quem passa pela dor, costuma ficar em silêncio”, diz Peres. “O silêncio potencializa o trauma”.

Falar. Contar e recontar a história ajuda o sofredor a amenizar a ansiedade e substitui-la por coragem. Quando a pessoa conta a história pela primeira vez, a narrativa é toda carregada das sensações pesadas que ela sofreu. Conforme conta e reconta, a carga emocional vai sendo amenizada.

“Devemos contar a história tão bem quanto possível”, afirma Peres. “É muito importante contá-la a quem possa ouvir sem fazer julgamentos”, afirma. Se a pessoa não tiver acesso a um psicoterapeuta, deve contar a história a um familiar, um amigo, um líder religioso.

Em 2007, Peres publicou um interessante estudo sobre os efeitos neurobiológicos da psicoterapia. O trabalho saiu no periódico científico Journal of Psychological Medicine. Dezesseis pacientes que haviam sofrido algum tipo de trauma foram divididos em dois grupos. Um deles foi submetido a sessões de psicoterapia. O outro, não.

Estudos de neuroimagem realizados no início do estudo e dois meses depois revelaram importantes diferenças. O cérebro das pessoas que fizeram terapia apresentavam mais atividade no córtex pré-frontal. Essa área está envolvida na classificação das experiências. É a região que nos faz atribuir significado ao que vivemos.Verificou-se também menos atividade na amígdala, a área do cérebro relacionada à expressão do medo.

Enquanto conversava com Peres, comecei a pensar nas pessoas que sofrem de estranhas fobias e nas formas de tratamento que podem ajudá-las. Uma delas é a terapia cognitivo-comportamental. Por meio de várias técnicas, a pessoa é exposta, aos poucos, à situação que lhe assusta. Quando ela percebe que nada de mal lhe acontece, sua ansiedade diminui. Está aberto o caminho da superação.

Vanzolini não sabe. Mas ele também me ajudou nisso. Há oito anos, resolvi entrevistá-lo. Para passar algumas horas ouvindo as histórias dele eu teria de pagar um alto preço: enfrentar meu pavor de cobras. Resolvi apostar, mas não imaginava que a experiência seria tão marcante.
(...)"

Todos nós damos as nossas quedas na vida e este artigo, é uma luz sobre como agir nesses momentos, para minimizarmos os impactos negativos e maximizarmos a probabilidade de voltar à superfície no mais curto espaço de tempo e, se possível, em melhores condições para enfrentar os próximos desafios.

Abraços saudáveis

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"MEDO"


Ao longo do tempo, irei de vez em quando publicar alguns trechos do livro "a cura Emocional - Soluções e alternativas para uma vida sem stress" de Jan de Vries, cujo conteúdo nos orienta de uma forma clara e relativamente "simples" a conseguir alcançar um outro Qualidade de Vida.


"MEDO

(...) Por vezes, o medo pode ser uma força positiva nas nossas vidas. (...) No entanto os medos negativos podem conduzir a uma série de problemas. Na Holanda, temos um ditado: "As pessoas sofrem devido às coisas que têm medo". Sentem pesos enormes sobre os seus ombros, muito superiores aos que Deus lhes deu para carregar.Podemos sentir medo do nosso local de trabalho, medo do desconhecido, medo de nós próprios e até medo do próprio medo. O pior de todos é o medo do medo,(...).

A melhor forma de lidar com o medodo desconhecido é concentrar a nossa mente em pensamentos positivos. Se só olharmos para dentro, podemos ficar perturbados e receosos sobre várias coisas, como a saúde, o trabalho , as relações, etc. Em vez disso, precisamos de olhar à nossa volta, olhar para o futuro com esperança, e decidir o que poderemos fazer para melhorar a nossa vida. Podemos perder muito tempo devido a estes sentimentos de medo, mas a nossa vida pode ser transformada, substituindo esse negativismo por um pensamento mais positivo e racional.(...)

Quando fazemos um esforço para estimular a nossa felicidade, ao limpar a nossa mente de pensamentos negativos e substitui-los por pensamentos positivos, com a dose certa de amor por nós e pelos outros, a vida passa a ser maravilhosa.(...)

Há muitas coisas que podemos fazer para nos ajudarmos quando sentimos medo, mas a mais importante é desenvolver uma atitude positiva. Se conseguirmos encarar o futuro com um olhar mais positivo, então não sentiremos medo. O medo pode ser ultrapassado e quando o substítuimos pelo amor, vai acompanhar-nos ao longo da vida."

Parecem palavras tão simplórias e merecedoras de pouca atenção da nossa parte, mas para quem as vivencia, podem ter a certeza, exemplificam de uma forma muito pratica e real aquilo que podemos fazer sustentadamente, pela nossa Qualidade de Vida e a daqueles que nos rodeiam!

Abraços saudáveis