sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"A morte de seu inventor [macarrão instantãneo ou miojo no Brasil] foi assim noticiada pelo piloto americano Patrick Smith, especialista em aviação"


Não é uma comida muito saudável, mas todos nós sabemos o que é o macarrão instantãneo (miojo no Brasil) e acredito que não haja quem já o tenha experimentado, nem que seja por estar com fome e muito cansado para cozinhar ou por ter apenas alguns minutos para comer.

O que você talvez não saiba, é que:

"A morte de seu inventor foi assim noticiada pelo piloto americano Patrick Smith, especialista em aviação e cronista da revista eletrônica Salon: "No dia 5 de janeiro de 2007 a aviação mundial foi abalada por uma notícia trágica. Momofuku Ando morreu de ataque cardíaco no Japão, aos 96 anos". Smith explica que, entre os doze itens de primeira necessidade que todo piloto transporta naquela maleta preta que faz parte do seu uniforme, está a invenção de Ando. "Se o leitor não entende por que cinco pacotes de miojo são imperativos no repertório de todo piloto da aviação civil, é porque nunca desabou num infame quarto de hotel à meia-noite, morto de fome e com pouco dinheiro, para uma escala de poucas horas. É claro que existem iguarias mais saborosas, mas miojo é barato, simples de fazer e nunca estraga"."

Veja em seguida alguns trechos desta interessante e curiosa história:

"A trajetória de Momofuku Ando, cidadão considerado patrimônio nacional e tesouro mundial pelos japoneses, está narrada no Instant Ramen Museum que leva o seu nome, na cidade de Osaka. Nascido na Taiwan sob ocupação nipônica, em 1910, Ando trafegou por vários ofícios até encontrar seu destino. Começou como vendedor de tecidos, migrou para o ramo de acessórios industriais, depois para casas pré-fabricadas, depois para projetores de luz. Nada de muito estimulante. Tentou criar um esquema de bolsas de estudo para alunos carentes que o levou à prisão.

A virada ocorreu em meados dos anos 50, no Japão famélico e derrotado que sobrou da II Guerra Mundial. Ando, então com 47 anos de idade, cruzava diariamente com longas filas de japoneses que tentavam comprar um prato de macarrão nas biroscas de ramen espalhadas por toda parte. Imaginando que devia existir um método de abreviar a espera pelo cozimento da massa, pôs-se a trabalhar durante um ano no galpão do quintal de sua casa, em Osaka. O problema não era pequeno: como eliminar totalmente a água de um macarrão já cozido, para melhor acondicioná-lo, e posteriormente devolver-lhe vida e sabor, tornando-o de novo adequado ao consumo?

Foi observando sua mulher preparar tempura que Ando descobriu a fórmula: pegou uma porção de macarrão fresco, fritou-a em óleo de palmeira, encharcou-a de caldo de galinha e a deixou secar até que adquirisse consistência de tijolo. Desidratado o macarrão, Ando o empacotou em embalagem a vácuo. Para percorrer o caminho inverso e ressuscitá-lo, bastaria mergulhá-lo em água fervendo. Estava criado o Chicken Ramen - o grande clássico, segundo os aficionados. "Inventei o macarrão instantâneo por imaginar que o povo ficaria feliz em poder comer seu prato preferido a qualquer hora, em qualquer lugar. Só isso", repetiria Ando ao longo da vida. Estava criada, também, a logomarca Nissin.

Do galpão, o invento saltaria para as prateleiras de supermercados aos solavancos. Aquele tijolo amarelado, enroscado como minhoca e acondicionado em saco de celofane pareceu risível no seu primeiro ano de existência. Custava seis vezes mais do que o macarrão fresco oferecido em todas as esquinas do país. Ainda assim, vendeu 13 milhões de unidades em 1958. Dez anos depois, a população do Japão já consumia mais de 3,6 bilhões de pacotes por ano. Hoje, avenidas inteiras em supermercados expõem os mais de 983 sabores e variedades do produto, do étnico coreano com couve ao camarão picante apreciado em Madagascar.
(...)"

Para ler na íntegra o artigo que me serviu de fonte (revista Piauí), clique aqui.

Abraços saudáveis

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