segunda-feira, 28 de julho de 2008

Porque professores e oncologistas nunca lhe falaram sobre essa relação tão estreita?


Ia escrever sobre um “relato de um médico que lutou contra a doença e inventou uma nova maneira de viver”, editado no livro “Anticâncer”, mas optei hoje (voltarei a escrever sobre o conteúdo mais na frente) por publicar alguns trechos retirados da Revista Veja que recentemente entrevistou o próprio David Servan-Schreiber:

A DESCOBERTA DO CÂNCER – Diagnosticado com a doença pela primeira vez há dezesseis anos, fui tratado pelos métodos convencionais. Nove anos depois, no entanto, tive uma recaída. Decidi, então, pesquisar tudo o que era possível fazer naturalmente, sem recorrer a remédios, para ajudar meu corpo a se defender do câncer. Municiei-me de todo tipo de informação sobre a doença. Hoje, acho que todos os pacientes deveriam fazer o mesmo. Esse é, sem dúvida, o melhor caminho para que médicos e pacientes se tornem parceiros na condução de um tratamento. Infelizmente, ainda não me sinto curado. Em geral, meu tipo de câncer não desaparece. Mas, se eu mantiver o "terreno" saudável, eu e minhas células cancerosas continuaremos a conviver como bons vizinhos por um tempo – talvez um longo tempo.

A EXPERIÊNCIA COMO PACIENTE – Foi difícil aceitar que eu era simplesmente um paciente. Eu me agarrava como podia ao status de médico e ia às consultas de jaleco e crachá. Mas consegui perceber exatamente como se sente um doente. Muitas vezes tinha a sensação de que ninguém se interessava por quem eu era, como se todos só quisessem saber o resultado da minha última tomografia. Eu sempre me considerei o tipo de médico gentil e atencioso com meus pacientes, mas a doença me fez ver que meu comportamento estava muito longe do ideal. Depois disso, mudei radicalmente o modo de praticar a medicina.

O ENFRENTAMENTO DA MORTE – Se há algo de bom em ficar cara a cara com a morte é que se compreende quanto a vida é preciosa. Esse enfrentamento mostra que não se deve desperdiçar a chance de contribuir de alguma forma para a existência dos outros – é isso que fica depois que você vai embora. Apesar de conviver permanentemente com a ameaça de o tumor voltar, eu consigo levar uma vida normal. Na verdade, sinto-me muito mais saudável fisicamente e mais "normal" emocionalmente do que antes de saber que tinha câncer. O que eu fiz para mudar a minha vida me tornou uma pessoa mais equilibrada em todos os sentidos.

O PESO DO ESTILO DE VIDA – Durante muito tempo, acreditou-se que o câncer era, sobretudo, uma questão de genética – e um mal inevitável para quem está propenso a ele. O crescimento no número de casos da doença mostra que a influência dos fatores externos, como os hábitos de vida e o ambiente, é mais impactante na manifestação do câncer do que os genes. A genética é responsável por apenas 10% a 15% dos casos. Defendo a teoria de que todos temos um câncer dormindo dentro de nós. É nosso estilo de vida que vai ou não determinar seu desenvolvimento – seja nutrindo as células cancerosas, seja alimentando os mecanismos de defesa do organismo que impedem a formação de um tumor. O diagnóstico de câncer, porém, não deve jamais criar um sentimento de culpa no paciente. Eu não me sinto culpado nem por um segundo por ter desenvolvido câncer. Eu não fazia a menor idéia de que estava exposto a tantos fatores pró-câncer na minha vida. E talvez eu nunca saiba quais deles foram os mais críticos. Mas conhecer os mecanismos biológicos anticâncer no meu organismo me dá força para enfrentar a doença.

A IMPORTÂNCIA DA DIETA – A alimentação é um elemento-chave na luta contra o câncer – o mais essencial deles, na minha opinião. Pode-se atribuir à dieta a razão principal para a expansão da doença. Nos últimos cinqüenta anos, houve três mudanças muito significativas em nossa alimentação: o aumento do consumo de açúcar refinado, a utilização de produtos químicos na fabricação dos alimentos, como corantes e conservantes, e a mudança do padrão alimentar de animais como vacas e frangos. O consumo de açúcar refinado, que em 1830 era de 5 quilos por pessoa, no ano 2000 chegou a inacreditáveis 70 quilos per capita. Atualmente, os ovos têm vinte vezes mais ômega-6 do que nos anos 70. Em excesso, esse tipo de gordura, usado na ração das aves, facilita o acúmulo exagerado de células adiposas.

AS FERIDAS PSÍQUICAS – Nós estamos apenas começando a entender como os fatores psicológicos influenciam o surgimento de um câncer. Muitos pacientes com quem conversei se lembram de um stress emocional muito forte nos meses ou anos que precederam o diagnóstico de câncer. Certos acontecimentos são tão dolorosos que destroem a imagem que fazemos de nós mesmos ou minam a confiança que tínhamos em alguém. É o caso de alguns rompimentos amorosos. Algumas feridas psíquicas não cicatrizam sozinhas. É preciso encontrar formas de lidar com elas, pois essas feridas repercutem em todo o organismo.

MEDICINA TRADICIONAL X MÉTODOS ALTERNATIVOS – Eu diria que o tratamento convencional salvou a minha vida (N.A. destaco este comentário do médico, para deixar claro que acredito e defendo que a medicina convencional tem um papel importante!), mas não me ajudou a prevenir a recorrência do câncer. A relação entre estilo de vida e câncer é tão estreita e evidente quanto a associação entre os hábitos cotidianos e as doenças cardiovasculares. O que me surpreendeu ao constatar isso foi o fato de que ninguém nunca havia me falado sobre tais evidências – nem meus professores na faculdade de medicina nem meus próprios oncologistas. Opções de vida mais saudáveis, como meditação e alimentação equilibrada, foram e são cruciais para o fortalecimento de meu organismo contra a doença. Em minha opinião, tanto os recursos da medicina convencional como os métodos alternativos são indispensáveis e complementares.

Vejam como o Dr. David Servan-Schreiber, médico, se surpreendeu ao constatar o fato dos seus professores e oncologistas nunca lhe terem falado com ele sobre a relação forte que existe entre o câncer e o esilo de vida.

Incentivo fortemente os meus clientes a validarem esta teoria pelo lado positivo, isto é, a validarem que um bom estilo de vida, minimiza em muito a probabilidade de algum dia terem um câncer.

Abraços saudáveis

2 comentários:

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Caro João

Parabens pelo blogue. Posso sugerir-lhe que dê uma olhadela a este blogue?

http://salvadorvazdasilva.blogspot.com/

Peço-lhe que comece a ler do inicio ou seja Novembro de 2007

Um abraço

Erica Irene disse...

Olá João!

Muito interessante e pertinente o seu artigo, o qual recebi por email e agora acessei o blog.

Continue com esta atividade, estará trazendo muitos benefícios a muitas pessoas.
um abraço