domingo, 16 de novembro de 2008

"Jamie Oliver: O "ministro da comida" luta contra a obesidade"

É com muita satisfação que partilho com os meus leitores, alguns trechos do artigo com o título mencionado em epígrafe, publicado no jornal o “Público” (jornal português - Alexandra Prado Coelho, 11/Nov/08) que mostram soluções reais que adaptadas à realidade de cada país/região, com certeza contribuirão para uma significativa melhora do nível de saúde das respectivas populações, com todas as vantagens diretas e indiretas, inclusive na redução de gastos do setor privado e publico.

“O que é que faz um chef de 33 anos, (...)no meio dos deputados britânicos em Westminster? Não, Jamie Oliver não está a pensar lançar-se na política (...). Quer apenas salvar os ingleses daquilo que vê como uma das maiores ameaças à saúde pública das últimas décadas: a obesidade. E o que foi dizer aos deputados é que sabe o que está na origem do aumento de peso de tanta gente. O problema é, simplesmente, não saberem cozinhar.
"(...)"Estou a fazer esta campanha simplesmente porque quero melhorar a forma como as pessoas comem".
Jamie não é um chef qualquer. Tornou-se, nos últimos anos, uma figura influente junto do Governo britânico - primeiro com a campanha para mudar as ementas dos almoços escolares, e agora com a tentativa, mais ambiciosa, de ensinar todos os britânicos a cozinhar. (..) através da comida, quer mudar a sociedade.
Não é um acaso que o seu mais recente programa(...) tenha o sugestivo nome de Ministry of Food - uma referência ao Ministério da Comida criado durante a II Guerra Mundial para ajudar as famílias britânicas a comer o melhor possível, apesar do racionamento de comida.
Desta vez, Jamie encaminhou-se - com toda a sua "máquina", câmaras, microfones, produtores, e todo o Carnaval que rodeia a gravação de um programa de televisão - para Rotherham, em South Yorkshire, e procurou um grupo de pessoas que não soubesse cozinhar nada. Não foi difícil. Natasha, por exemplo, tornou-se imediatamente uma figura icónica do programa quando Jamie a mostrou a alimentar a filha de cinco anos com junk food, sentada no chão, todos os dias, apesar da criança estar a ficar com os dentes podres.
(...)
A ideia é simples, e baseia-se no esquema da pirâmide: cada oito pessoas que aprenderem a cozinhar ensinam outras oito, e, naquilo a que Jamie chamou Pass it on, passam receitas às outras, até todos serem cozinheiros de uma qualidade pelo menos sofrível. O chef conseguiu pôr o mineiro, no meio de um estádio de futebol, a ensinar a outros dois homens uma receita que incluía um peito de frango, queijo, presunto e espargos. Também ensinou Natasha a cozinhar para a filha e ajudou Claire, que comia apenas batatas fritas e barras de chocolate e, acreditem ou não, não sabia sequer ferver água, a dominar os rudimentos da cozinha. Além disso, abriu em Rotherham o primeiro do que espera que venham a ser (com futuro financiamento governamental) muitos centros alimentares, à semelhança dos criados pelo Ministério da Comida na II Guerra. Trata-se de um local onde as pessoas podem ir aprender os princípios básicos da cozinha, pedir receitas, comprar ingredientes e, sobretudo, perceber como se pode comer bem quando o dinheiro é pouco.
Mas as críticas surgiram rapidamente. O chef foi acusado de ter humilhado as pessoas de Rotherham, que foram mostradas ao país inteiro, e vão sê-lo ao mundo, quando o programa começar a ser transmitido noutros países (em Portugal os programas de Jamie Oliver têm passado na SIC Mulher) como incapazes de alimentar os próprios filhos. (...)
Jamie não se deixa impressionar com as críticas. (...)
Criado o centro em Rotherham e terminado o programa de televisão (mas não o projecto, que o chef quer alargar a todo o país), Jamie partiu para Westminster para explicar a sua tese aos deputados. A obesidade tornou-se uma epidemia que já não é só um problema de classe, porque, diz, pela primeira vez na história, há um enorme número de pessoas, de todos os níveis sociais, que não sabe cozinhar. O problema não é o dinheiro, frisou, mas "a falta de conhecimento".
É preciso que as escolas ensinem as crianças a cozinhar (o tema já faz parte do currículo das escolas britânicas para jovens entre os 11 e os 14 anos, mas Jamie acha importante que se comece na primária) para combater a "incrivelmente profunda" crise provocada pela má nutrição. Além disso, é preciso conter a indústria da fast food que leva as pessoas a comer de forma pouco saudável.
"Porque é que não existe um Ministério da Alimentação?", perguntou Jamie aos deputados. "Porque é que não temos uma pessoa que lidere isto durante os próximos dez anos?". Voltou, no entanto, a garantir que não estava a falar de si próprio - embora se tenha mostrado disponível para ajudar o Governo a encontrar um "czar da comida".
Os mais recentes números e previsões sobre a obesidade deixam-no "assustado"
, confessa ao P2. "No Reino Unido, o Serviço Nacional de Saúde já gasta mais dinheiro a tratar pessoas com doenças relacionadas com a alimentação do que com doenças provocadas pelo tabaco. Este é um problema que se está a agravar".
Um dos pontos em que mais insistiu com os deputados foi o de que esta não é uma epidemia das classes baixas. "Há muitos rapazes da City [o centro financeiro de Londres] que ganham - bem, costumavam ganhar - muito dinheiro, e que não sabem alimentar os filhos, nem com um cartão gold".
O que o choca é ver "uma geração de jovens pais" que não sabe cozinhar. "Neste que é o quinto país mais rico do mundo... há uma pobreza como nunca vi antes. Não tem a ver com ténis novos, telemóveis ou ecrãs de plasma - eles têm isso tudo. É a pobreza de serem incapazes de alimentar a família".
Será este um problema mais grave na Grã-Bretanha do que noutros países europeus? Será a relação dos britânicos com a comida diferente, por exemplo, da dos italianos ou dos portugueses? "Não acho que seja só um problema britânico, embora perceba o que quer dizer", responde Jamie ao P2. "Só posso dizer que as pessoas que conheci no programa gostavam de ter aprendido a cozinhar, mas nunca ninguém lhes deu a informação necessária, e por isso sentem-se perdidas. Não é culpa delas. Historicamente, há uma grande tradição britânica de cozinha caseira, mas isso foi-se perdendo nas duas últimas gerações".
(...) o motor de tudo isto é a televisão. Foi através dos programas que, em 2005, Jamie lançou a polémica dos menus escolares (que obrigou o Governo a investir na qualidade do que as crianças comem nas escolas); foi em directo na televisão que abriu o seu restaurante Fifteen, onde pôs a trabalhar quinze jovens desempregados, que passaram a ter uma carreira como chefs; e, finalmente, foi em frente às câmaras que ensinou à população de Rotherham - e da Grã-Bretanha - os princípios básicos da culinária.
(...)

Vamos criar o Ministério da Alimentação no Brasil e em Portugal?

Abraços saudáveis,

3 comentários:

Dr. Nutrição disse...

Parabéns pela excelente matéria.
Abraços.

Lincoln.

João Marques disse...

Caro Lincoln,

Obrigado pelas suas palavras.
Este artigo só valida a ideia que temos que voltar para a cozinha e dedicarmos mais tempo para comermos à volta da mesa. Estes rituais são fundamentais para a nossa SAÚDE.

Abraços saudáveis

Emma Crabtree disse...

The reaction in the UK was amazing. Schools changed their menus seemingly overnight and revolutionised the way British children eat at school. Of course, it didn't work everywhere and some kids still want chips! The power of celebrity to make change happen has been shown to work for good.
Emma Crabtree