segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Portugal e hipertensão arterial: uma relação fatal"

Podia-se ler no caderno "saúdepública", parte integrante do Expresso do passado dia 31 de Janeiro:

"Os números não mentem e são preocupantes: 40% dos portugueses são hipertensos e mesmo que medicados, a grande maioria não tem a situação controlada. Somos o país desenvolvido onde mais se morre de acidente vascular cerebral (AVC). patologia intimamente ligada à hipertensão arterial (HTA).

"Temos uma situação que tem piorado nos últimos anos. Todas as estatísticas mostram que continuamos com cerca de 40% da população hipertensa e há um desconhecimento grande acerca desta doença", começa por lamentar o Prof. Luís Martins, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH).

"Depois, a grande maioria dos doentes hipertensos medicados não está controlada. Andamos a gastar dinheiro com fármacos para tratar a HTA sem termos os benefícios que deviamos" , refere.

Como consequência desta realidade, a nossa principal causa de morte é o AVC, patologia que tem uma relação directa com a HTA.

O médico refere que "Portugal é o único país desenvolvido em que acontece a singularidade de se morrer mais de AVC do que doença coronária. Em 2005 morreram três a quatro pessoas por hora de AVC".


Cabe a cada um de nós tomar em linha de conta um conjunto de questões preponderantes para prevenir esta realidade.

"O controlo da pressão arterial, da ingestão de sal, a prática de actividade física, impedir a obesidade e o controlo de diabetes são factores intimamente ligados à doença vascular, à hipertensão e ao AVC", esclarece Luís Martins.


Prevenção versus doença

Um dos aspectos que o presidente da SPH lamenta é o facto de canalizarmos muitos dos nossos recursos para a doença e não para a prevenção.

"(...) Não está em causa tratar os doentes, mas também é preciso canalizar recursos para a prevenção. Só asim é que vamos ter, daqui a 20 ou 30 anos, uma sociedade mais saudáveis," refere, lamentando ainda:


"Não é justo que, enquanto contribuintes para o orçamento geral do Estado, estejamos a suportar as cirurgias da obesidade quando essa patologia é uma questão individual. Cabe a cada um controlar os seus hábitos e não, a posteriori, colocar o ónus em todos nós quando, na grande maioria dos casos, a doença surge por uma questão de manutenção prolongada de maus comportamentos."


Ainda a propósito desta realidade, Luís Martins Lembra que os "países da OCDE, em 2006, gastaram 97% do seu orçamento da Saúde com a doença e 3% com a prevenção".


É uma questão política e o presidente da SPH lança duras criticas a quem está no centro da decisão:


"Enquanto se obtiverem mais dividendos políticos tratando de lista de espera ou as questões do doente A ou B, em vez de se ter uma responsabilidade e noção de Saúde Pública, nada vai mudar. Há uma cultura de decisão espartilhada pelos ciclos eleitorais."

As consequências deste comportamento, segundo Luís Martins, estão à vista:
"Basta ver os esforços que vários titulares da pasta do Ministério da Saúde têm feito ao longo dos últimos anos para reduzir a despesa e a verdade é que esta aumenta sempre. (...)"."

continua....

Abraços saudáveis



Um comentário:

Inês Gil Forte disse...

João...

Tudo o que referiste aqui eu já tinha noção...mas de tudo o mais escandaloso é a parte dos 3% para prevenção...
É incrivel a falta de apoios para estudos de saude publica e epidemiologicos...eu bem sei, porque estou a realizar um estudo e apoios de estado...esquece lá isso!!!

É pena em Portugal só se agir após o mal estar implantado! Acaba por se gastar muito mais...

Em relação aos AVC's em si, na semana passada tive conhecimento de um rapaz com 23 anos, no ultimo ano de Medicina Dentária, sem qualquer tipo de factor de risco, que fez um AVC...Aqui está um caso de uma vida que pelo menos por uns tempos vai ficar em suspenso! E depois tudo demora muito na avaliação...os hospitais são lentosss...tudo funciona devagar...

Beijinho
Inês